sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Estava eu...

Como bom usuário do transporte público,costumo permanecer calado enquando observo o correr das paisagens diante dos meus olhos preguiçosos.Eu assisto o decorrer dos fatos nas calçadas de uma metrópole cinzenta;aterrorizante.Vejo mendigos procurando na embriaguez a cura para as feridas criadas a partir da realidade,vejo seres de terno e gravata;todos pomposos e imponentes,dígnos de alguma dinastia ou casta esquecida e abandonada nas ruínas da história.Vejo a polícia e seu semblante de ordem e harmonia,os mantenedores dos paradigmas mais fragéis de uma sociedade falida,então busco num livro a minha própria fuga.
Logo me vejo foleando "Nelson Rodrigues: O melhor do romance,Contos e Crônicas",admito que,inicialmente,aquela leitura seria somente mais uma,uma leitura qualquer que deslocaria minha noção para algum lugar distante;por sorte eu estava errado.
A apresentação de Ruy Castro já era convidativa ao ponto de ser ousada,gosto de escritores polêmicos que não se importam com comentarios alheios.Ele mencionou por diversas vezes a cegueira geral com relação à obra de Nelson Rodrigues,afirmando que suas obras desapareçeram com o tempo tornando-se raras ao ponto de abandonarem as sebos.O próprio Ruy Castro questionava o motivo pelo qual os tais "gênios da cultura brasileira" ignoravam a habilidade de Nelson,então me pego surpreso mais uma vez.
Claro que a forma patriótica com que ele aborda o cotidiano do país naquela época não me agradou muito mas sem dúvida alguma,Nelson descrevia a sociedade brasileira como poucos.Suas afinetadas políticas acompanhavam seus comentarios poéticos sobre futebol,sempre questionando a tal "síndrome de vira-lata" que desde muito tem contaminado a população brasileira de forma misteriosa.
Quando conclui a leitura do livro inteiro me vi apegado à uma forma de escrita crítica ùnica,das mais diretas da mídia nacional.É admirável a forma com que ele misturava situações embaraçosas;vulgares,com as fases de nosso cotidiano.É como se vivessemos todos numa ùnica sociedade,onde todos são assumidamente canalhas e amantes ao mesmo tempo,nas linhas mágicas do conto "Os que se esquecem antes de amar" eu senti uma crítica
romântica a destruição dos costumes necessários;como o próprio amor.Ao meu ver ele acertou em cheio quando disparou:"Os nossos jovens,de ambos os sexos,esquecem antes de amar e sentem o tédio antes do desejo".
Infelizmente está é uma verdade,um tiro contra a ululante situação crítica da juventude.Nada expressamente contra os rumos escolhidos por nós jovens,mas se não fosse tão forte e precoce o veneno da mídia acredito que muitas coisas estariam melhores hoje em dia.

"A juventude é uma banda estampada numa garrafa de refrigerante..."

2 comentários:

  1. Opa, parabens pela iniciativa de fazer um blog.

    Apesar de termos "estudado" juntos por 2 anos. Nunca parei realmente pra ler um texto seu.Você escreve bem mesmo.

    Espero ler ainda muitos artigos desse blog.
    Espero acima de tudo, jogar muita conversa fora contigo sua bixa loka do caraiu =D, huahuahu.

    Boa sorte, um abraço, Deivison.

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