O Supremo Tribunal Federal aprovou ontem a derrubada da obrigatoriedade de diploma para o exercíçio da profissão jornalística.A sessão contou com 8 votos favoráveis a mudança enquanto apenas o Ministro Marco Aurélio Melo se manifestou contra a derrubada da lei que, data dos anos de chumbo da história política brasileira; quando sob apelo de líderes sindicais da própria imprensa gaúcha o então Min. da Educação Jarbas Passarinho aprovou a exigência da diplomação, o próprio texto original do projeto traz a rubrica das autoridades militares da época, que entre outras tarefas, também concentravam o poder legislativo em suas mãos.
Entre os argumentos dos Ministros o principal foi o de que a lei era um resquício dos anos negros do país, a mesma justificativa usada na votação anterior que também derrubou a lei de imprensa; original do mesmo período mas, algumas das explicações dadas pelos votantes surpreendem pela total falta de relação com a realidade em que está inserida a imprensa no Brasil, destas a que mais se destacou foi a pérola verbal do Ministro Carlos Aires Brito que também preside o TSE; de acordo com ele a profissão de jornalismo é igualmente vocacional a do cozinheiro, ou seja, você nasce jornalista e não estuda para se tornar um, sem dúvida alguma o ministro desprezou a formação técnica exigida de quem busca a profissão.
É claro que o fato de eu estudar jornalismo influencia a minha opinião mas, os argumentos fantasiosos dos senhores Ministros extravazam a lógica e desaguam num profundo desrespeito pela classe jornalística.A diplomação jornalística permite que aquele que exerce a profissão seja punido por situações diversas, como calúnia entre outras coisas; se assimilarmos isso à onda de parcialidade da imprensa brasileira podemos imaginar que nos próximos anos muita gente vai acabar rendida pelo poder dos meios de comunicação.O que eu quero dizer é que a obrigatoriedade do diploma coloca o jornalista numa relação de comprometimento com a verdade, claro que mesmo assim muitos dos atuais ocupantes da imprensa continuam lavando a cara do brasileiro com mentiras lamentáveis mas, da mesma forma que o diploma é concedido ele também pode ser cassado caso seu proprietário cometa certas injúrias, ou seja, a inexistência do diploma é a regulamentação da baderna que vai se apropriar do jornalismo brasileiro.
Talvez essa decisão constitua uma tentativa de equiparar a imprensa brasileira com a alemâ, já que no país europeu não existe a obrigatoriedade do diploma para o exercíçio da profissão.Se o resultado da votação tem por objetivo seguir esse caminho, devemos alertar os Ministros da alta corte nacional sobre as diferenças culturais abissais que se instalam entre os dois países, somos diferentes meus senhores!
Alguns dos votantes declararam também que não há uma técnica para o desenvolvimento do texto jornalístico, então devo reconhecer a inutilidade do formato lead além de ressaltar a seguinte constatação duvidosa: algum dos ministros já frequentou algum curso de comunicação em algum pedaço do Brasilzão?Um texto jornalístico não é uma redação qualquer sobre como foram as nossas férias, é um trabalho que envolve responsabilidade pois não serão nossas mães as únicas leitoras, se a derrubada da obrigatoriedade se perpetuar a imprensa brasileira vai se tornar uma arma poderosa indenpendente, que vai alvejar suas vítimas a torto e a direito.Essa decisão abre espaço para que pessoas como o Datena transformem seus programas intitulados de jornalísticos, em palcos circenses de alienação total e irrestrita, se grande parte das profissões exigem formação superior por que a jornalística se distingue das outras?Um sociólogo não se torna tal apenas coma leitura de livros como "O que é sociologia?", um professor não pode lecionar sem uma base acadêmica que lhe conceda autoridade suficiente para transmitir conhecimentos aos mais jovens, um advogado pode ser advogado depois de ler e decorar toda a constituição brasileira; sem desenvolver para si um conceito individual de ética que esteja estritamente ligado ao que é considerado correto para a advocacia?
Nos últimos tempos a democracia brasileira tem se pautado pela destruição dos entulhos do período de ditadura militar, sendo que decisões draconianas tem sido encobertas por essa postura florida de liberdade disseminada pelo atual sistema político do qual me recuso a chamar de democracia.A Administração pública está recheada de pequenos ditadores em todas as estâncias senhores ministros, e enquanto os senhores se encarregam de inutilidades os Getúlios mirins se divertem em suas fazendinhas públicas.
Renato Dias...muito puto desde o começo!!
"Enquanto o Brasil brinca de país a população se consagra como sobrevivente"
quinta-feira, 18 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
A adorável opinião pública...afinal, ela existe?
Nos ùltimos dias o congresso nacional tem sido palco de um grande festival de peças cômicas, acompanhadas de perto pela nossa imprensa policialesca; metida a exemplo de ética profissional e social.O mais curioso destes fatos recentes foram as declarações do ilustre e carnavalesco Deputado Sérgio Moraes, do DEM de Minas Gerais senão me peca a pobre memória.Respondendo a questão de uma jornalista de inteligência divina, o Parlamentar respondeu que não se importava com a opinião pública, na verdade Sérgio Moraes disse que não se lixava para a opinião daqueles que são responsáveis por seus ganhos sobrenaturais mas, a questão que me chocou não foi exatamente essa por mais que no momento em que eu tomei ciência do caso, também pedi a cabeça do "sua excelência".O que me surpreendeu foi o fator gerador do grande espetáculo, ou seja, as declarações da adorável jornalista responsável pela pergunta.
Inicialmente, gostaria de dizer que não abomino jornalistas-pelo menos não a maioria deles-até porque tenho estudado além de meus limites para me tornar um.O que abomino é a forma com que alguns comunicadores da imprensa tem tratado a população nos ùltimos tempos.Eu falo do termo "opinião pública" que quando criado serviu de representante para os pensamentos de uma maioria e, que na verdade não passa de mais um exemplo de alienação protegido pela mídia.
O que eu questiono é o uso descontrolado deste termo como arma contra autoridades e coisas do ramo.Quando justificava o motivo pelo qual disse tamanha asneira, o parlamentar declarou que durante uma coletiva voltada para o processo contra o Deputado Fed. Edimar Moreira (DEM-MG) do qual Moraes era relator, a adorável jornalista o ameaçou durante a questão, afirmando que se ele não casasse o colega a opinião pública seria jogada contra ele, ou seja, díria eu que a opinião pública é a bala, a imprensa a arma e os outros são as vítimas.
Antes que eu conclua meu raciocínio sobre o caso, gostaria de resfrescar a memória do leitor caso este não se lembre muito bem do senhor Edimar Moreira.O brilhante parlamentar marcou seu nome na história da vida política nacional ao devolver o feudalismo ao mundo capitalista, sim ele é proprietário de um grande castelo de recordações medievais construído nos campos de Minas Gerais.O mais curioso é que uma construção tão magnífica escapou dos cinco sentidos do Leão, coisa que normalmente não acontece já que faz parte da rotina da Receita Federal devorar sonegadores de impostos mas, de toda forma, não foi isso que motivou uma ação contra Moreira no conselho de ética e estética da Camâra.Se já não bastasse a obra estupenda o parlamentar também andou usando recursos da chamada verba indenizatória em sua empresa de segurança particular, negócio que segundo o deputado bancou a construção do castelo.Pela constituição da própria casa o uso da verba indenizatória não deságua em quebra de decôro mas a pressão do mundo ao redor motivou um processo contra o parlamentar, quanto ao senhor Sérgio Moraes cabe dizer que depois da coletiva ele foi afastado da relatoria contra a própria vontade e um outro deputado assumiu a tarefa de julgar o sua excelência.
Voltando a minha avaliação sobre o caso, o que mais me perturbou em tudo isso foi a ameaça da senhora jornalista, na minha opinião não cabe a um representante de imprensa a tarefa de julgar, prender ou condenar alguém.Se vivemos em uma democracia onde os poderes estão distribuidos para que não haja centralização de decisões, um dos maiores pecados possíveis é assumir a tarefa que não lhe pertence e nos ùltimos anos a imprensa brasileira tem trabalhado dessa forma, veja só o senhor Datena entre outros nomes; por mais que ele não seja um jornalista especificamente.
Muitas pessoas já me questionaram sobre a possibilidade de eu trabalhar no programa CQC da Bandeirantes, que tomou os contornos do programa Pânico na Tv da Redetv só que voltado para a política nacional.Eu costumo responder que até gostaria mas, não tenho o interesse de servir de guia da opinião alheia.Não sou partidário de ninguém e muito menos pertenço a esquerda ou a direita mas, acho lamentável ver a imprensa incendiando a imagem do Congresso Nacional para tempos depois promover campanhas eleitorais e jingles de incentivo a "democracia obrigatória deste país".
No fim das contas o que eu quero deixar muito claro é o seguinte, a população brasileira não precisa da opinião da imprensa para saber o que pensar sobre o mundo ao seu redor.Essa tentativa inútil de eliminar a alienação de nosso cotidiano acaba nos tornando cada vez mais refén dos meios de comunicação que hoje, aderem ao sensacionalismo sanguinário para extrair o máximo de reais ao fim de mais um mês, então eu pergunto a possíveis comentaristas deste texto: EXISTE OPINIÃO PÚBLICA??
Renato Dias, inicialmente calmo e adorável mas nas ùltimas linhas....em fúria!!
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