A sociedade humana é uma vitrine de si própria.O simples ato de manter seus olhos abertos enquanto orienta seus pés pelas calçadas esburacadas, já é um estudo de campo do comportamento alheio.
Há 48 horas atrás eu me encontrava sentado em um dos ùltimos bancos da linha Terminal Bandeira, com destino a Galeria do Rock; cujo título oficial não é bem esse aí mas enfim.Desfrutando de minha hiperatividade, eu desisti de acompanhar as músicas do meu pequeno mp alguma coisa coisa através de batidas no vidro da janela e passei a observar; sem a menor cerimônia; os semblantes das pessoas que tomavam aquela linha.
Isso é inútil sim e não vou nega-lo mas, constatei o quanto é curioso o fato das pessoas se silenciarem de forma tão deprimida quanto recolhidas em torno de si próprias.Quando nós somos adolescentes temos uma sensibilidade maior a essas observações incomuns, principalmente eu que costumo ter como principal compania nestas horas ninguém mais, ninguém menos do que eu mesmo.As pessoas trocam olhares, procuram um espaço para apoiar seus corpos cansados, procuram na paisagem cotidiana um fato capaz de entretê-los mesmo que por pouco tempo e a única coisa que conseguem deslumbrar são carros e pessoas, pessoas e carros; quase sempre envolvidos em uma relação mútua: os carros levando as pessoas que dirigem seus carros.Nada mais.
Alguns e eu sou um exemplo; preferem se internar em incomôdos fones de ouvido ao invés de mergulharem no silêncio tumular de ambientes como este.Trata-se de um egoísmo nojento mas é preferível da minha parte manter-me dedicado as músicas do que a observar olhares tristonhos, e enquanto tudo isso acontece sacio a minha inquietude tocando nos vidros laterais dos ônibus, observando o mundo externo sem a menor intenção de encontrar nele algum entretenimento que me agrade.
Também observei a resignação com que se comportam algumas espécies de pessoas, principalmente mulheres e garotas e, de certa forma; faria o mesmo se tivesse nascido como mais um do sexo oposto.Elas evitam se sentar entre dois homens e principalmente no fundo dos ônibus, onde já dizia minha mãe que só se se acomodam ali assaltantes e adjacências, inclusive já tentaram me roubar no fundo de um ônibus mas toda a ação fracassou.
Enquanto minhas pernas se esforçam para transpor os obstáculos das calçadas e ruas da cidade, meus pensamentos se mantém em desordenada pesquisa e tudo o que eu disse aqui não passa de um desabafo, por isso o título aos 18 porque quando se chega a esta idade a necesidade de abrir o jogo se torna maior já que por parte dos mais velhos há uma surdez epidêmica em relação a nós, e sempre que nos manifestamos somos alvejados por críticas prevísiveis cheias de clichês.
Se a juventude está perdida os adultos estão embriagados pela morfina social com a qual foram tratados durante tantos anos.
Renato Dias de Sousa, sem nada mais a dizer nem a fazer.
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