IIIª Parte.
No terceiro e ùltimo capítulo desta pequenina série de textos, eu pretendo me focar exatamente na diplomacia brasileira e sua postura diante de casos como os que mencionei nos dois posts anteriores.
Os fatos que exigiram uma maior participação do Itamarati lançaram luz sobre a postura da diplomacia brasileira.Durante o Governo Lula o Ministério das Relações Exteriores; comandado por Celso Amorim; adotou como política básica a não interferência do país em questões internas de outras nações.Esse comportamento chegou a atrair para o país críticas com relação a forma com que o Planalto abordou o programa nuclear iraniano, ignorando as ameaças proporcionadas por uma possível vocação armamentista para o projeto, inclusive; em Novembro o presidente Mahmoud Armadhimejad deve visitar o país em viagem oficial e várias instituições religiosas já se manifestaram contrárias a vinda do mandatário que se recusa a reconhecer o holocausto, além de anunciar publicamente que o Estado Israelense é o principal inimigo de seu país cabendo aos iranianos derrubar o regime semita.
Outro comportamento estranho do Itamarati é a forma com que ele trata seus companheiros de continente.Recentemente, o governo colombiano anunciou um acordo militar com os Estados Unidos oferecendo às forças americanas a construção de bases em seu país.Imediatamente toda a esquerda eleita da região apanhou seus tambores e num ritmo frenético alvejou o projeto colombiano, convocando para o fato uma reunião extraordinária da OEA.Sem sombra de dúvida; assim como declarou o Presidente Lula inicialmente; o convênio entre as duas nações constitui a quebra da soberania continental, por mais que oficialmente este acordo tome como objetivo principal o combate ao narcotráfico instalado na região, que tem como clientela mais prospéra a sociedade americana.
O Presidente Venezuelano, Hugo Chaves, chegou a romper relações diplomáticas com o "colega" Alváro Uribe, o que não é muito díficil de acontecer já que há mais de uma década Chaves tem se mostrado preciptado e ignorante mesmo quando trata de assuntos sensíveis.Durante as sucessivas reuniões com os presidentes das nações vizinhas, Uribe se explicou mais de uma vez alegando que o acordo tem como função enfrentar o narcotráfico que constitui a muitos anos o maior problema de seu país.Seu encontro com o presidente brasileiro acabou amenizando o entrave diplomático na região porém as críticas ao projeto persistiram e mesmo assim, a Colômbia não recuou do plano original.
Não há dúvidas sobre o fato de que acordos militares como este só reforçam o cenário de "Guerra Fria" instalado no continente.Temos a Venezuela revigorando sua frota militar através da compra de diversas unidades russas, desde helicópteros até aviões das mais avançadas tecnologias homicidas.A Colômbia reforçando sua capacidade bélica sob o argumento de estar em guerra com o narcotráfico, adquirindo não só o que os Americanos tem de melhor em sistemas de combate mas também importando soldados daquele país, ou seja, mais uma vez Russos e "Yankes" financiam exércitos estrangeiros.Sem contar a compra de caças pelo governo brasileiro e provavelmente o aparelho francês deve mais uma vez, reforçar a frota nacional e por fim; os Equatorianos estão negociando com o "companheiro Chaves" a aquisição das ruínas de combate aéreo da Venezuela, lembrando que a Força Aérea Venezuelana é composta de modelos Mirage que são de origem francesa, os mesmos que durante anos serviram aos céus brasileiros e que hoje estão entrando para a aposentadoria.
O que quero deixar bem claro que é que a eleição da ala mais pseudo-socialista da esquerda latina, tem transformado a chancelaria de todos os países da região num grande palanque político-partidário.O próprio Celso Amorim se filiou ao PT recentemente.Hoje o Itamarati não é mais sinônimo de moderação como foi até alguns meses no passado.Se tornou mais um gabinete partidário do governo Lula que tem transformado o Estado num pai recheado de crias.
A Diplomacia deixou de ser um modo pacífico de solução política para se transformar em campo de batalha para desavenças ideológicas internacionais.Se querem saber eu até acho muito bonitinho aquele lema "Socialismo e Libertád" mas não passa de um sonho e, entro em depressão sempre que acordo dos sonhos mais bonitinhos.
Renato Dias de Sousa.
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