Dois textos jamais revelados nem mesmo aos olhos mais próximos dos meus, mentira; um delez eu publiquei no orkut.De qualquer forma, são dois conjuntos de palavras organizadas de forma rápida e dançante.Elaborei isso quando retornava da faculdade.A discreta observação do comportamento alheio em meio a um vagão lotado do metrô - sim, é possível movimentar os olhos dentro de um metrô cheio - fecundou tais palavras, reunindo-as e transformando-as - haja concordância - nisso:
Noite.
"Das janelas sensores humanos detectam no horizonte metálico a corrida das serpentes de aço.Em silêncio, organismos inanimados se deixam levar pelo ritmo urbano de um coração moderno, movido não por sangue mas, por eletricidade.Devorados pelo dia onde as horas sob o sol ou sob a luz lhe anoiteceram a mente, não se perguntam nem se amam; pelo contrário, se permitem congestionar os sabores da vida e se rendem a um falso amor que nutrem por si próprios.Assim vão todos sem um único som senão a repetitiva sinfonia dos que não se expressam, o calar da estagnação e da inércia da metrópole, o veto ao verbo que poderia fazer com que a geleria sobre a qual está a sociedade se rompa...somente a queda poderia fazê-los falar.”
Dia.
Observadores deixam os berços esplêndidos dos quais desfrutaram durante a dança das estrelas.Seguem todos em ritmo igualmente fúnebre, desafiando as próprias vontades, rendendo-se ao que lhes disseram ser certo.Persiste o silêncio e a tristeza, almas deprimidas disputam espaço sobre o asfalto, todas veladas pelas lanças de concreto armadas contra o céu.Circula por todas as mentes a mesma dúvida e tão igual é para todos a resposta, igualmente imediata à pergunta.Afinal, tantos anos de entrega e submissão silenciosa há de render algo no futuro?Como saber se tudo o que preservam agora não passa de pouco?A rotina persiste e se instala feito um veneno nas entranhas sociais, pouco a pouco as questões são sanadas com o consentimento das vozes mais poderosas e, como era de se esperar; tudo está sob controle.”
Meu professor de português diria "Cara, isso daria um bom hardcore".
Renato Dias, nem sempre tão puto com as coisas.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Os anos passam e os pesadelos permanecem.
Boa noite.
Há tempos que não me dedico a esse blog e tenho de reconhecer que não me faltaram temas, nem tempo para trabalha-los aqui, assim como também não me faltou criatividade porém, não encontrei dentro de mim a chama que me leva a digitar tantos caractéres em uma página que muda de nome constantemente, graças a indecisão desse que vós escreve.
Humildemente, quero tomar este espaço para tratar de uma questão um tanto esquecida nos fóruns de mídia deste país até porque; a falecida lei de imprensa ainda exerce uma influência anestésica e sombria sobre os veículos de informação brasileiros: a violência policial.
É provável que alguém saia em defesa de suas convicções alegando que nos dias de hoje o comportamento policial é mais "humano" díriamos assim, (ao ler esta frase depositar doses exageradas de enfâse ao sentido da palavra humano.De certa forma eu me sinto inclinado a concordar mas apenas parcialmente, os rapazes de farda ainda se consideram os detentores da justiça, de forma que a lei continua ao lado deles.
As estatísticas não mentem quando apontam que a polícia paulista está matando mais.Uma notícia deste porte costuma arrancar intensas salvas de aplausos unânimes da população em geral mas, torno a repetir que disse certa vez Nelson Rodrigues "A unanimidade é burra", ou seja, os pais de família louvam as ações "heróicas" dos homens da lei até o momento que seu filho se deita em meio aos leitos dos indigentes miseráveis; mortos, presos ou espancados pelo simples fato de não degustarem das maravilhas proporcionadas por uma vida regada a òtimos salários.
Não abordarei a forma com que marginais de farda e marginais sem farda se confrontam sobre o asfalto alucinado dessa cidade.Me restringo a uma àrea deste tema da qual posso falar como testemunho: a forma com que a PM trata as manifestações, independentemente das questões motivadoras.
Recentemente diversas pessoas de todos os andares dessa porcaria de cadeia alimentar social, se reuniram em côro contra os reajustes nas tarifas do transporte exageradamente coletivo.Foram diversos atos elaborados com a intenção de tornar transparente a insatisfação popular com relação ao aumento.A elevação da tarifa de 2,30 para 2,70 constitui um atentado contra a economia popular, submetendo a população usuária de ônibus a um assalto diário nas catracas.Atualmente o transporte público é um direito caro para o cidadão e um dever lucrativo para o estado, essa é a verdade.
Nos primeiros atos deste ano a polícia se revelou fiel aos interesses da Prefeitura que, mais uma vez; governa para poucos atendendo especificamente aos interesses de empresários.Simplesmente, os homens de farda se mostram cada vez mais submissos ao estado, ignorando o papel de proteger a população se é que´isso é possível, já que na minha opinião um policial é tão criminoso quanto aqueles que eles algemam.Não faço uma análise ideológica nem política da gestão Serra Kassab mas, está claro que a dupla dinâmica que afundou o transporte coletivo assim como a infra estrutura paulistana é prepotente demais para reconhecer seus erros.
Em uma das manifestações realizadas em janeiro a Polícia se revelou desprovida de inteligência, o que já era de se esperar.Quando o ato avançava pela avenida Rangel Pestana o comandante Palácio; responsável pela desastrosa operação; se irritou de tal forma que diversos tumultos menores ocorreram, inclusive um onde um soldado da ROCAM atropelou uma garota ao acelerar desastrosamente a sua moto.Nós prosseguimos através de uma rua menor que nos levaria até o terminal parque Dom Pedro, um símbolo tanto para nós quanto para a polícia.Os militares elaboraram uma linha recheada de viaturas de todas as espécies e vieram acompanhando o ato pela retaguarda.Quando nos aproximávamos de uma praça recheada de camêlos um outro bloqueio policial foi estruturado para impedir o nosso avanço, desta vez quem se colocou em nosso caminho foram policiais montados (pobres cavalos) e sem opção nós mergulhamos no emaranhado de comércio paralelo.
Desesperados, policiais e camêlos dispararam em desabalada carreira; por razões distintas claro.Os PM's golpeavam o vento com seus cassetetes conforme os gritos estéricos do comandante Palácio, comerciantes fugiam temendo pela apreensão de suas mercadorias, nós corriamos temendo por nossa integridade física e pela preservação de nossos direitos individuais.Eu fiquei frente a frente com o comandante quando cheguei ao centro da praça e vi com os olhos que; logicamente; são meus que de forma irresponsável; ele segurava em uma de suas mãos um revolvér que inclusive; rendeu a capa do Diário de São Paulo - mesmo assim o jornal insistiu em tecer críticas ao movimento e não a imagem que seus fotografos captaram - , ou seja, em uma situação de maior tumulto as chances de um projétil deixar aquela arma rumo ao corpo de um inocente; seja ele manifestante ou não; eram grandes porém, foda-se afinal "eu boto fogo no país e não tem problema pois sei que estou do lado da lei."
Escapei do comandante inflamado em chamas e de seus capangas desprovidos de consciência, cheguei ao terminal e foi aí que toda a narrativa anterior se consolidou no que já era aguardado por todos: a linha de combate da ROCAM.Com uma velocidade surpreendente os policiais se alinharam munidos de escudos e cacetetes, as bombas de "efeito moral" rasgaram o ar em nossa direção, corremos e eu pelo menos escapei suficientemente bem para gritar covardes, quando testemunhei um policial golpear uma senhora que entrava no terminal quando aquela formação medieval se concluiu, mas logo vieram os militares cicilistas e eu tive de colocar minhas pernas em movimentos mais rápidos.
Escapei e integrei um grupo de dez manifestantes que fizeram o mesmo caminho que eu durante a fuga.Decidimos retornar ao teatro municipal e contatar amigos no intuito de saber se haviam feridos ou detidos.Enquanto caminhávamos receosos notamos que todo o efetivo policial sediado no centro da cidade se deslocará para o terminal, posteriormente; em algumas imagens publicadas na mídia; eu vi que aquilo era verdade.Chegamos ao teatro e lá nos instalamos em frente às reformas, através dos celulares começamos a contatar colegas e um deles; com o qual eu falei; relatou que um amigo fora atingido no olho por um disparo de spray de pimenta e até então não recuperará a visão, de forma que ele levaria o rapaz para casa.Repentinamente, toda a nossa atenção se deslocou para a avenida já que ao longe ouvimos os latidos das sirenes da ROCAM, cerca de 20 unidades se aproximavam de nós.
As motos estacionaram em linha de forma que só nos restou a faixa de pedestres que concede acesso ao viaduto do chá.Um deles se aproximou e através de constantes "Seus merdas" mandou que nós deixassemos o teatro, as ameaças persistiram enquanto cruzamos a faixa e uma viatura da força táctica estacionou de forma intimidadora sobre a faixa de pedestres, seus ocupantes abriram as portas e nos ameaçaram, mantendo suas armas e sua covardia nas mãos.Deixamos o teatro e nos instalamos próximos da prefeitura onde recebmos outras pessoas envolvidas com o ato, recolhendo ali relatos de todas as espécies.Descobrimos que a choque desembarcou lá para expulsar os remanescentes, de forma que nos dias posteriores descobrimos que uma garota fora alvejada cinco vezes com balas de borracha, o que revela por parte da polícia um desejo selvagem de massacre ao invés de uma estratégia de contenção.
Uma outra garota também saiu ferida quando atingida na cabeça por um cassetete, entregue a um policial retardado.Foram necessários três pontos para fechar a consequência do despreparo desses marginais eleitos e pagos para nos proteger.Uma outra feriu suas àreas intímas sem contar que os policiais mantiveram-na detida na viatura durante um longo período, antes de levarem a moça até a delegacia.Houveram casos de camêlos e moradores de rua detidos, libertados pela comissão de segurança da manifestação nas horas seguintes ao protesto.Outros integrantes foram detidos e agredidos de forma que as viaturas deixaram eles em àreas distantes do local da manifestação, ou seja, em plena dita democracia a polícia continua se comportando como os covardes dos anos negros da história deste país.Me sinto inclinado a emitir o seguinte alerta: "cuidado pessoal, lá vem vindo a blazer tricolor, sem números do lado, dentro dois ou três tarados, assasinos armados e uniformizados..."
Renato Dias...se esforçando para manter-se pacifista.
Há tempos que não me dedico a esse blog e tenho de reconhecer que não me faltaram temas, nem tempo para trabalha-los aqui, assim como também não me faltou criatividade porém, não encontrei dentro de mim a chama que me leva a digitar tantos caractéres em uma página que muda de nome constantemente, graças a indecisão desse que vós escreve.
Humildemente, quero tomar este espaço para tratar de uma questão um tanto esquecida nos fóruns de mídia deste país até porque; a falecida lei de imprensa ainda exerce uma influência anestésica e sombria sobre os veículos de informação brasileiros: a violência policial.
É provável que alguém saia em defesa de suas convicções alegando que nos dias de hoje o comportamento policial é mais "humano" díriamos assim, (ao ler esta frase depositar doses exageradas de enfâse ao sentido da palavra humano.De certa forma eu me sinto inclinado a concordar mas apenas parcialmente, os rapazes de farda ainda se consideram os detentores da justiça, de forma que a lei continua ao lado deles.
As estatísticas não mentem quando apontam que a polícia paulista está matando mais.Uma notícia deste porte costuma arrancar intensas salvas de aplausos unânimes da população em geral mas, torno a repetir que disse certa vez Nelson Rodrigues "A unanimidade é burra", ou seja, os pais de família louvam as ações "heróicas" dos homens da lei até o momento que seu filho se deita em meio aos leitos dos indigentes miseráveis; mortos, presos ou espancados pelo simples fato de não degustarem das maravilhas proporcionadas por uma vida regada a òtimos salários.
Não abordarei a forma com que marginais de farda e marginais sem farda se confrontam sobre o asfalto alucinado dessa cidade.Me restringo a uma àrea deste tema da qual posso falar como testemunho: a forma com que a PM trata as manifestações, independentemente das questões motivadoras.
Recentemente diversas pessoas de todos os andares dessa porcaria de cadeia alimentar social, se reuniram em côro contra os reajustes nas tarifas do transporte exageradamente coletivo.Foram diversos atos elaborados com a intenção de tornar transparente a insatisfação popular com relação ao aumento.A elevação da tarifa de 2,30 para 2,70 constitui um atentado contra a economia popular, submetendo a população usuária de ônibus a um assalto diário nas catracas.Atualmente o transporte público é um direito caro para o cidadão e um dever lucrativo para o estado, essa é a verdade.
Nos primeiros atos deste ano a polícia se revelou fiel aos interesses da Prefeitura que, mais uma vez; governa para poucos atendendo especificamente aos interesses de empresários.Simplesmente, os homens de farda se mostram cada vez mais submissos ao estado, ignorando o papel de proteger a população se é que´isso é possível, já que na minha opinião um policial é tão criminoso quanto aqueles que eles algemam.Não faço uma análise ideológica nem política da gestão Serra Kassab mas, está claro que a dupla dinâmica que afundou o transporte coletivo assim como a infra estrutura paulistana é prepotente demais para reconhecer seus erros.
Em uma das manifestações realizadas em janeiro a Polícia se revelou desprovida de inteligência, o que já era de se esperar.Quando o ato avançava pela avenida Rangel Pestana o comandante Palácio; responsável pela desastrosa operação; se irritou de tal forma que diversos tumultos menores ocorreram, inclusive um onde um soldado da ROCAM atropelou uma garota ao acelerar desastrosamente a sua moto.Nós prosseguimos através de uma rua menor que nos levaria até o terminal parque Dom Pedro, um símbolo tanto para nós quanto para a polícia.Os militares elaboraram uma linha recheada de viaturas de todas as espécies e vieram acompanhando o ato pela retaguarda.Quando nos aproximávamos de uma praça recheada de camêlos um outro bloqueio policial foi estruturado para impedir o nosso avanço, desta vez quem se colocou em nosso caminho foram policiais montados (pobres cavalos) e sem opção nós mergulhamos no emaranhado de comércio paralelo.
Desesperados, policiais e camêlos dispararam em desabalada carreira; por razões distintas claro.Os PM's golpeavam o vento com seus cassetetes conforme os gritos estéricos do comandante Palácio, comerciantes fugiam temendo pela apreensão de suas mercadorias, nós corriamos temendo por nossa integridade física e pela preservação de nossos direitos individuais.Eu fiquei frente a frente com o comandante quando cheguei ao centro da praça e vi com os olhos que; logicamente; são meus que de forma irresponsável; ele segurava em uma de suas mãos um revolvér que inclusive; rendeu a capa do Diário de São Paulo - mesmo assim o jornal insistiu em tecer críticas ao movimento e não a imagem que seus fotografos captaram - , ou seja, em uma situação de maior tumulto as chances de um projétil deixar aquela arma rumo ao corpo de um inocente; seja ele manifestante ou não; eram grandes porém, foda-se afinal "eu boto fogo no país e não tem problema pois sei que estou do lado da lei."
Escapei do comandante inflamado em chamas e de seus capangas desprovidos de consciência, cheguei ao terminal e foi aí que toda a narrativa anterior se consolidou no que já era aguardado por todos: a linha de combate da ROCAM.Com uma velocidade surpreendente os policiais se alinharam munidos de escudos e cacetetes, as bombas de "efeito moral" rasgaram o ar em nossa direção, corremos e eu pelo menos escapei suficientemente bem para gritar covardes, quando testemunhei um policial golpear uma senhora que entrava no terminal quando aquela formação medieval se concluiu, mas logo vieram os militares cicilistas e eu tive de colocar minhas pernas em movimentos mais rápidos.
Escapei e integrei um grupo de dez manifestantes que fizeram o mesmo caminho que eu durante a fuga.Decidimos retornar ao teatro municipal e contatar amigos no intuito de saber se haviam feridos ou detidos.Enquanto caminhávamos receosos notamos que todo o efetivo policial sediado no centro da cidade se deslocará para o terminal, posteriormente; em algumas imagens publicadas na mídia; eu vi que aquilo era verdade.Chegamos ao teatro e lá nos instalamos em frente às reformas, através dos celulares começamos a contatar colegas e um deles; com o qual eu falei; relatou que um amigo fora atingido no olho por um disparo de spray de pimenta e até então não recuperará a visão, de forma que ele levaria o rapaz para casa.Repentinamente, toda a nossa atenção se deslocou para a avenida já que ao longe ouvimos os latidos das sirenes da ROCAM, cerca de 20 unidades se aproximavam de nós.
As motos estacionaram em linha de forma que só nos restou a faixa de pedestres que concede acesso ao viaduto do chá.Um deles se aproximou e através de constantes "Seus merdas" mandou que nós deixassemos o teatro, as ameaças persistiram enquanto cruzamos a faixa e uma viatura da força táctica estacionou de forma intimidadora sobre a faixa de pedestres, seus ocupantes abriram as portas e nos ameaçaram, mantendo suas armas e sua covardia nas mãos.Deixamos o teatro e nos instalamos próximos da prefeitura onde recebmos outras pessoas envolvidas com o ato, recolhendo ali relatos de todas as espécies.Descobrimos que a choque desembarcou lá para expulsar os remanescentes, de forma que nos dias posteriores descobrimos que uma garota fora alvejada cinco vezes com balas de borracha, o que revela por parte da polícia um desejo selvagem de massacre ao invés de uma estratégia de contenção.
Uma outra garota também saiu ferida quando atingida na cabeça por um cassetete, entregue a um policial retardado.Foram necessários três pontos para fechar a consequência do despreparo desses marginais eleitos e pagos para nos proteger.Uma outra feriu suas àreas intímas sem contar que os policiais mantiveram-na detida na viatura durante um longo período, antes de levarem a moça até a delegacia.Houveram casos de camêlos e moradores de rua detidos, libertados pela comissão de segurança da manifestação nas horas seguintes ao protesto.Outros integrantes foram detidos e agredidos de forma que as viaturas deixaram eles em àreas distantes do local da manifestação, ou seja, em plena dita democracia a polícia continua se comportando como os covardes dos anos negros da história deste país.Me sinto inclinado a emitir o seguinte alerta: "cuidado pessoal, lá vem vindo a blazer tricolor, sem números do lado, dentro dois ou três tarados, assasinos armados e uniformizados..."
Renato Dias...se esforçando para manter-se pacifista.
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