Dois textos jamais revelados nem mesmo aos olhos mais próximos dos meus, mentira; um delez eu publiquei no orkut.De qualquer forma, são dois conjuntos de palavras organizadas de forma rápida e dançante.Elaborei isso quando retornava da faculdade.A discreta observação do comportamento alheio em meio a um vagão lotado do metrô - sim, é possível movimentar os olhos dentro de um metrô cheio - fecundou tais palavras, reunindo-as e transformando-as - haja concordância - nisso:
Noite.
"Das janelas sensores humanos detectam no horizonte metálico a corrida das serpentes de aço.Em silêncio, organismos inanimados se deixam levar pelo ritmo urbano de um coração moderno, movido não por sangue mas, por eletricidade.Devorados pelo dia onde as horas sob o sol ou sob a luz lhe anoiteceram a mente, não se perguntam nem se amam; pelo contrário, se permitem congestionar os sabores da vida e se rendem a um falso amor que nutrem por si próprios.Assim vão todos sem um único som senão a repetitiva sinfonia dos que não se expressam, o calar da estagnação e da inércia da metrópole, o veto ao verbo que poderia fazer com que a geleria sobre a qual está a sociedade se rompa...somente a queda poderia fazê-los falar.”
Dia.
Observadores deixam os berços esplêndidos dos quais desfrutaram durante a dança das estrelas.Seguem todos em ritmo igualmente fúnebre, desafiando as próprias vontades, rendendo-se ao que lhes disseram ser certo.Persiste o silêncio e a tristeza, almas deprimidas disputam espaço sobre o asfalto, todas veladas pelas lanças de concreto armadas contra o céu.Circula por todas as mentes a mesma dúvida e tão igual é para todos a resposta, igualmente imediata à pergunta.Afinal, tantos anos de entrega e submissão silenciosa há de render algo no futuro?Como saber se tudo o que preservam agora não passa de pouco?A rotina persiste e se instala feito um veneno nas entranhas sociais, pouco a pouco as questões são sanadas com o consentimento das vozes mais poderosas e, como era de se esperar; tudo está sob controle.”
Meu professor de português diria "Cara, isso daria um bom hardcore".
Renato Dias, nem sempre tão puto com as coisas.
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