quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A PROPAGANDA A DE-SERVIÇO DA DEMOCRACIA:

Mais uma vez boa noite.Enquanto meus dedos percorrem de cabo a rabo este teclado morno, lá fora a luz da lua percorre o asfalto aquecido pelo seu amado antecessor.Ainda estamos em agosto, o mês dos cachorros loucos mal vacinados, mês de propaganda eleitoral, mês em que toda a sua vida é invadida por uma série de jingles imbecis e promessas inatingíveis.
São nos programas diários que todos os problemas enfrentados por você impulsionam as campanhas miseráveis.Aquela calçada minada aonde num tropeço você pode perder a perna, as crateras pelas quais seu carro anda despencando, aquela escola em ruínas aonde você abandona seus filhos todas as tardes enfim, todos os fatos que lhe causam agonia são apresentados como doenças, e somente os senhores candidatos podem oferecer a cura- mencionei candidatos e não religiosos, nem médicos.
Bom, o problema não está na venda da solução mas sim na perseverança dos problemas.Ao que parece a chegada das eleições lança luz sobre tudo o que há de ruin na cidade e no país, e por todos os lados escorrem propostas de araque tão milagrosas quanto as "indulgências" vendidas pela igreja do passado – e do presente.
Não se trata de idiossincrasia da minha parte, estou à sombra da certeza ao afirmar que você também sente isso.Não é preciso muito senso crítico para notar que no período eleitoral florescem pontos de ônibus, praças são limpas diariamente, candidatos a reeleição inauguram edíficios tanto para o tratamento dos mortais – hospitais – assim como os lares para aqueles cuja mortalidade alcançou um ponto final – cemitérios.Nas entrevistas de presidentes e governadores, exaltações nem sempre veladas aos seus respectivos candidatos são constantes, poucos são éticos o suficiente para respeitar a lei eleitoral, pois subestimam a capacidade avaliativa dos seus telespectadores, e os discursos são uma pérola a parte; ou eles exageram nas mentiras ou fazem tantas críticas às gestões atuais que nos fazem crer no apocalipse biblico ou; muitas vezes transformam suas campanhas num show de humor, para não dizer que o horário eleitoral em geral tem rivalizado seriamente com os programas faz me rir da televisão brasileira, já superando; por exemplo; a qualidade da zorra total.
Grande parte dos programas transmitidos durante o horário eleitoral, contém uma trilha sonora cujo pilar principal são as batidas comuns sobre o sertão seco.Impressionante, enquanto nem mesmo dos céus vem a àgua necessária para a sobrevivência dos nordestinos, chove político metido a amigo desse povo sofrido.O uso de ritmos tão folclóricos não tem nenhuma relação com algo patriótico como " a aplicação da cultura brasileira no processo democrático", como díria algum tucaneiro de alta pelagem ou algum magistrado metido a sábio grego; muito pelo contrário; trata-se de uma charlatanice musical cujo intuito principal é atrair esse público eleitoralmente forte e assim sequestrar seu voto e seu destino.Eu me pergunto: quando é que o horário eleitoral; além de democrático; será sério afinal, me parece que os autoctones do nordeste são lembrados apenas quando tem de ir às urnas.Durante os governos ninguém se lembra da sede e da fome que se deitou sobre aquela terra.
Pergunto isso por duas razões: a distribuição dos tempos de perturbação alheia é injusta, já que toma como critério base o tamanho da coligação e outra coisa; os jingles, os personagens usados entre outras péssimas demonstrações de noção artística não passam de uma pilhéria com a nossa cara.Comediantes falidos, musicos que perderam a expressão, ex jogadores, religiosos cansados dos rendimentos dizimais enfim, não falta gente ilustre para transformar o horário eleitoral num show de blasfêmias banhadas em ovos podres.
A organização do horário eleitoral é a prova de que por maior que seja o progresso político do país, ainda temos muito a melhorar.Cabe a nós mais jovens lutar para que no futuro sejamos nós os comandantes dessa aeronave inerte.Não preciso dizer que observar em silêncio a situação de grande parte dos jovens é frustrante.O máximo de atitude que conseguem ter é esvaziar uma garrafa e enxer a cabeça com sensações sintéticas de prazer, tudo isso somado ao uso excessivo de calças coloridas e justas o suficiente para mostrar o quanto tem passado fome, em função dos conflitos vazios com suas mamães.Porra, e o pior é que chamam isso de rock...devo ser muito conservador ou eles são muito babacas.
Enfim e por fim, quero deixar como ùltimo tiro a idéia de que antes de qualquer exigência política por mudança, somos nós quem devemos começar a mudança.Saia do sofá, da cama, do banheiro ou de qualquer lugar aonde você tenha reservado grande parte das horas de sua vida.Entenda que o mundo não é um globo a toa cara, o que acontecer de ruin lá fora vai lhe pendurar pelas cuecas aqui embaixo.Não adianta pensar no vestibular, na garotinha fogosa que fuzila seus muscúlos juvenis de academia , não adianta passar chapinha no cabelo pra ficar stile ou decorar as gírias da época, basta você compreender que o tempo vai passando e você vai se permitindo prejudicar cada vez mais, ou se as drogas te proibem de entender isso serei mais claro: "Colega, o tempo tá passando e se tu não levantar as nadégas fétidas do sofazão bonitinho da mamãe, logo logo estará tão fudido que será tarde demais para dizer não."
Recado dado!
"Ouça o que eu digo, não ouça ninguém"
Renato Dias de Sousa, jovem demode de temperamento inflamável pelo cotidiano em chamas.

Texto originalmente escrito no dia 31-08-2010

INUMERAS RAZÕES PARA SE ATIRAR UMA URNA CONTRA A PAREDE.

Série de fétidos textos ligados ao processo cômico através do qual elegemos os nossos representantes, contém ofensas, não ler nem dedicar atenção em caso de ortodoxismo.

Em votação realizada na semana passada o Supremo Tribunal Federal – STF: Suprema Tramóia Federal (?) – concedeu aos programas humorísticos e semelhantes, o direito constitucional de trabalharem com a questão eleitoral.A decisão parte do princípio da livre concorrência, já que dessa vez os marketeiros e os caciques partidários se uniram em torno de uma grande pataquada, dígna dos maiores comediantes cujos pés já tocaram o solo terráqueo.

Eu não sei se vocês sabiam meus caros mas até então não era permitido fazer piadinhas sobre os majestosos candidatos.A draconiana proibição foi derrubada por pressão dos intelecutais neoliberalistas que tomam como bandeira o princípio da livre concorrência de mercado afinal, se comparado com os programas de faz me rir comuns, o horário eleitoral dispara como maior causador de caimbrâs bucais entre os brasileiros.Esqueçam os “ah mulekes”, os “Antôniooo Nuneeesss” nas coxas flácidas dos seus amigos sedentários, é hora de brincar de votar minha gente, pressionando aquela porcaria do “confirma” para sentenciar os próximos quatro anos de castigo da sua vida miserável...

Aos olhos de vocês eu devo parecer um micro terrorista revoltado com o status quo, defensor do voto nulo e desprovido de qualquer noção política – eu devo estar exagerando – mas a verdade é que sim, eu sou um micro terrorista disposto a explodir o congresso nacional, para que chovam blocos de concreto em chamas sobre as calvícies douradas dos velhos coronéis que ainda dissecam as riquezas do nordeste, entre outras porno patifarias dígnas de Sarneys e Magalhães.

Transmitindo um pouco da seriedade que corre pelas minhas veias nesta hora, a mais triste das verdades é que; apesar de todas essas brincadeiras; até poucos dias atrás a nossa liberdade de expressão estava limitada.Os mesmos senhores que imploram pelo seu voto com jingles grudentos tecem leis que lhe servem de anestésicos contra o senso crítico popular, elaboram emendas orçamentárias para erguer escolas que nunca saem do papel, escolas que deveriam abrigar os seus filhos dígnissimos brasileiros.Parece que toda a inteligência concentrada por trás daqueles sorrisos perniciosos, se esvai com o fim da propaganda política, restando a carcaça podre e vazia, que veste um terno caríssimo sustentado pela pobreza de seus eleitores, e assume a tribuna para discursos confusos aonde tentam fazer com que o ferrugem brilhe feito prata.

A candidatura de pessoas como Tiririca, Marcelinho Carioca entre outros, é a prova de que a vida parlamentar se transformou numa espécie de “salvação divina” para pessoas abandonadas pela mídia, que um dia lhes rendeu o pão de cada dia servido sobre bandejas da fama e da polêmica.Como alguém pode pedir voto da maneira como o maldito Tiririca faz?Não quero aqui condená-lo como profissional do humor – se é que isso existe, pois eu já ri muito com as piadinhas mal temperadas de sua autoria mas, PORRA CARA, volta pra emissora do bispo e nos deixe em paz mano jão, o que você vai fazer no Congresso Nacional?

Enfim, oTiririca não é o meu maior problema, há outros nomes ridículos pelas mais diferentes razões que estão até liderando as pesquisas eleitorais.No Distrito Federal por exemplo, maior usina de acumúlo de esgoto político do país; sabe quem está encabeçando a disputa pelo governo?Sim, o governo do Detrito Federal; aquele que distribuia dinheiro público aos amiguinhos, pessoas pobres que carregavam seus rendimentos nas meias.Pois é, derrubado o senhor Arruda – Governador falido e Chefe de Quadrilha incompetente – quem reinarás?R-o-r-i-z!

Joaquim Roriz, o indestrutível Joaquim Roriz está no topo das pesquisas que simulam a disputa pela sucessão oficial de Arruda.O maldito renunciou a sua vaga no senado aos prantos, apelando para a honra que jamais teve e nunca terá.Diante disso foi teve a candidatura detida na lei ficha limpa, sancionada recentemente e para desespero geral dos lúcidos: o cara continua candidato.Eu andava tão crente de que a lei ficha limpa reduziria a dose de sacanagens comuns no período eleitoral, admito que broxei e que até o fim destas eleições sofrerei de uma profunda e deprimente hipotência “cidadâ”.


Por mais que não pareça este é um texto sério, redigido por um desejo louco de ver não só este país mas todo o mundo progredir através de eleições que realmente mudem os rumos e não nos atolem num continuismo constante.Que o sistema eleitoral seja alterado de forma que o voto popular ganhe o poder devido, e o eleitor deixe de ser um instrumento inerte.Já está na hora das pessoas tomarem noção de que a política é a sombra de cada um delas, que mesmo quando estão internadas em seus banheiros banhados em alfazema, acomodadas no trono do desabafo intestinal; estão fazendo a porra da política que tanto criticam com a ignorância acumulada em tantos anos de educação falida.Que saibam todos o quanto estamos sendo roubados, que o BRASILEIRO deixe de ser esse puto covarde, telespectador amordaçado satisfeito com a pornografia velada vendida pelos programas de televisão, que nas ruas corra o desejo de mudança, em cartazes, nos gritos e nos muros.Já não é hora, é mais do que tarde porém, ainda não é impossível.



Renato Dias, um Retratos 3X4 e Doses Médias de uma Análise politicamente incorreta de uma política incorreta.
Em breve mais publicações do tipo desabafo sanitário...

Texto escrito originalmente no dia 28 de agosto de 2010.