Série de fétidos textos ligados ao processo cômico através do qual elegemos os nossos representantes, contém ofensas, não ler nem dedicar atenção em caso de ortodoxismo.
Em votação realizada na semana passada o Supremo Tribunal Federal – STF: Suprema Tramóia Federal (?) – concedeu aos programas humorísticos e semelhantes, o direito constitucional de trabalharem com a questão eleitoral.A decisão parte do princípio da livre concorrência, já que dessa vez os marketeiros e os caciques partidários se uniram em torno de uma grande pataquada, dígna dos maiores comediantes cujos pés já tocaram o solo terráqueo.
Eu não sei se vocês sabiam meus caros mas até então não era permitido fazer piadinhas sobre os majestosos candidatos.A draconiana proibição foi derrubada por pressão dos intelecutais neoliberalistas que tomam como bandeira o princípio da livre concorrência de mercado afinal, se comparado com os programas de faz me rir comuns, o horário eleitoral dispara como maior causador de caimbrâs bucais entre os brasileiros.Esqueçam os “ah mulekes”, os “Antôniooo Nuneeesss” nas coxas flácidas dos seus amigos sedentários, é hora de brincar de votar minha gente, pressionando aquela porcaria do “confirma” para sentenciar os próximos quatro anos de castigo da sua vida miserável...
Aos olhos de vocês eu devo parecer um micro terrorista revoltado com o status quo, defensor do voto nulo e desprovido de qualquer noção política – eu devo estar exagerando – mas a verdade é que sim, eu sou um micro terrorista disposto a explodir o congresso nacional, para que chovam blocos de concreto em chamas sobre as calvícies douradas dos velhos coronéis que ainda dissecam as riquezas do nordeste, entre outras porno patifarias dígnas de Sarneys e Magalhães.
Transmitindo um pouco da seriedade que corre pelas minhas veias nesta hora, a mais triste das verdades é que; apesar de todas essas brincadeiras; até poucos dias atrás a nossa liberdade de expressão estava limitada.Os mesmos senhores que imploram pelo seu voto com jingles grudentos tecem leis que lhe servem de anestésicos contra o senso crítico popular, elaboram emendas orçamentárias para erguer escolas que nunca saem do papel, escolas que deveriam abrigar os seus filhos dígnissimos brasileiros.Parece que toda a inteligência concentrada por trás daqueles sorrisos perniciosos, se esvai com o fim da propaganda política, restando a carcaça podre e vazia, que veste um terno caríssimo sustentado pela pobreza de seus eleitores, e assume a tribuna para discursos confusos aonde tentam fazer com que o ferrugem brilhe feito prata.
A candidatura de pessoas como Tiririca, Marcelinho Carioca entre outros, é a prova de que a vida parlamentar se transformou numa espécie de “salvação divina” para pessoas abandonadas pela mídia, que um dia lhes rendeu o pão de cada dia servido sobre bandejas da fama e da polêmica.Como alguém pode pedir voto da maneira como o maldito Tiririca faz?Não quero aqui condená-lo como profissional do humor – se é que isso existe, pois eu já ri muito com as piadinhas mal temperadas de sua autoria mas, PORRA CARA, volta pra emissora do bispo e nos deixe em paz mano jão, o que você vai fazer no Congresso Nacional?
Enfim, oTiririca não é o meu maior problema, há outros nomes ridículos pelas mais diferentes razões que estão até liderando as pesquisas eleitorais.No Distrito Federal por exemplo, maior usina de acumúlo de esgoto político do país; sabe quem está encabeçando a disputa pelo governo?Sim, o governo do Detrito Federal; aquele que distribuia dinheiro público aos amiguinhos, pessoas pobres que carregavam seus rendimentos nas meias.Pois é, derrubado o senhor Arruda – Governador falido e Chefe de Quadrilha incompetente – quem reinarás?R-o-r-i-z!
Joaquim Roriz, o indestrutível Joaquim Roriz está no topo das pesquisas que simulam a disputa pela sucessão oficial de Arruda.O maldito renunciou a sua vaga no senado aos prantos, apelando para a honra que jamais teve e nunca terá.Diante disso foi teve a candidatura detida na lei ficha limpa, sancionada recentemente e para desespero geral dos lúcidos: o cara continua candidato.Eu andava tão crente de que a lei ficha limpa reduziria a dose de sacanagens comuns no período eleitoral, admito que broxei e que até o fim destas eleições sofrerei de uma profunda e deprimente hipotência “cidadâ”.
Por mais que não pareça este é um texto sério, redigido por um desejo louco de ver não só este país mas todo o mundo progredir através de eleições que realmente mudem os rumos e não nos atolem num continuismo constante.Que o sistema eleitoral seja alterado de forma que o voto popular ganhe o poder devido, e o eleitor deixe de ser um instrumento inerte.Já está na hora das pessoas tomarem noção de que a política é a sombra de cada um delas, que mesmo quando estão internadas em seus banheiros banhados em alfazema, acomodadas no trono do desabafo intestinal; estão fazendo a porra da política que tanto criticam com a ignorância acumulada em tantos anos de educação falida.Que saibam todos o quanto estamos sendo roubados, que o BRASILEIRO deixe de ser esse puto covarde, telespectador amordaçado satisfeito com a pornografia velada vendida pelos programas de televisão, que nas ruas corra o desejo de mudança, em cartazes, nos gritos e nos muros.Já não é hora, é mais do que tarde porém, ainda não é impossível.
Renato Dias, um Retratos 3X4 e Doses Médias de uma Análise politicamente incorreta de uma política incorreta.
Em breve mais publicações do tipo desabafo sanitário...
Texto escrito originalmente no dia 28 de agosto de 2010.
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