Mais uma vez boa noite.Enquanto meus dedos percorrem de cabo a rabo este teclado morno, lá fora a luz da lua percorre o asfalto aquecido pelo seu amado antecessor.Ainda estamos em agosto, o mês dos cachorros loucos mal vacinados, mês de propaganda eleitoral, mês em que toda a sua vida é invadida por uma série de jingles imbecis e promessas inatingíveis.
São nos programas diários que todos os problemas enfrentados por você impulsionam as campanhas miseráveis.Aquela calçada minada aonde num tropeço você pode perder a perna, as crateras pelas quais seu carro anda despencando, aquela escola em ruínas aonde você abandona seus filhos todas as tardes enfim, todos os fatos que lhe causam agonia são apresentados como doenças, e somente os senhores candidatos podem oferecer a cura- mencionei candidatos e não religiosos, nem médicos.
Bom, o problema não está na venda da solução mas sim na perseverança dos problemas.Ao que parece a chegada das eleições lança luz sobre tudo o que há de ruin na cidade e no país, e por todos os lados escorrem propostas de araque tão milagrosas quanto as "indulgências" vendidas pela igreja do passado – e do presente.
Não se trata de idiossincrasia da minha parte, estou à sombra da certeza ao afirmar que você também sente isso.Não é preciso muito senso crítico para notar que no período eleitoral florescem pontos de ônibus, praças são limpas diariamente, candidatos a reeleição inauguram edíficios tanto para o tratamento dos mortais – hospitais – assim como os lares para aqueles cuja mortalidade alcançou um ponto final – cemitérios.Nas entrevistas de presidentes e governadores, exaltações nem sempre veladas aos seus respectivos candidatos são constantes, poucos são éticos o suficiente para respeitar a lei eleitoral, pois subestimam a capacidade avaliativa dos seus telespectadores, e os discursos são uma pérola a parte; ou eles exageram nas mentiras ou fazem tantas críticas às gestões atuais que nos fazem crer no apocalipse biblico ou; muitas vezes transformam suas campanhas num show de humor, para não dizer que o horário eleitoral em geral tem rivalizado seriamente com os programas faz me rir da televisão brasileira, já superando; por exemplo; a qualidade da zorra total.
Grande parte dos programas transmitidos durante o horário eleitoral, contém uma trilha sonora cujo pilar principal são as batidas comuns sobre o sertão seco.Impressionante, enquanto nem mesmo dos céus vem a àgua necessária para a sobrevivência dos nordestinos, chove político metido a amigo desse povo sofrido.O uso de ritmos tão folclóricos não tem nenhuma relação com algo patriótico como " a aplicação da cultura brasileira no processo democrático", como díria algum tucaneiro de alta pelagem ou algum magistrado metido a sábio grego; muito pelo contrário; trata-se de uma charlatanice musical cujo intuito principal é atrair esse público eleitoralmente forte e assim sequestrar seu voto e seu destino.Eu me pergunto: quando é que o horário eleitoral; além de democrático; será sério afinal, me parece que os autoctones do nordeste são lembrados apenas quando tem de ir às urnas.Durante os governos ninguém se lembra da sede e da fome que se deitou sobre aquela terra.
Pergunto isso por duas razões: a distribuição dos tempos de perturbação alheia é injusta, já que toma como critério base o tamanho da coligação e outra coisa; os jingles, os personagens usados entre outras péssimas demonstrações de noção artística não passam de uma pilhéria com a nossa cara.Comediantes falidos, musicos que perderam a expressão, ex jogadores, religiosos cansados dos rendimentos dizimais enfim, não falta gente ilustre para transformar o horário eleitoral num show de blasfêmias banhadas em ovos podres.
A organização do horário eleitoral é a prova de que por maior que seja o progresso político do país, ainda temos muito a melhorar.Cabe a nós mais jovens lutar para que no futuro sejamos nós os comandantes dessa aeronave inerte.Não preciso dizer que observar em silêncio a situação de grande parte dos jovens é frustrante.O máximo de atitude que conseguem ter é esvaziar uma garrafa e enxer a cabeça com sensações sintéticas de prazer, tudo isso somado ao uso excessivo de calças coloridas e justas o suficiente para mostrar o quanto tem passado fome, em função dos conflitos vazios com suas mamães.Porra, e o pior é que chamam isso de rock...devo ser muito conservador ou eles são muito babacas.
Enfim e por fim, quero deixar como ùltimo tiro a idéia de que antes de qualquer exigência política por mudança, somos nós quem devemos começar a mudança.Saia do sofá, da cama, do banheiro ou de qualquer lugar aonde você tenha reservado grande parte das horas de sua vida.Entenda que o mundo não é um globo a toa cara, o que acontecer de ruin lá fora vai lhe pendurar pelas cuecas aqui embaixo.Não adianta pensar no vestibular, na garotinha fogosa que fuzila seus muscúlos juvenis de academia , não adianta passar chapinha no cabelo pra ficar stile ou decorar as gírias da época, basta você compreender que o tempo vai passando e você vai se permitindo prejudicar cada vez mais, ou se as drogas te proibem de entender isso serei mais claro: "Colega, o tempo tá passando e se tu não levantar as nadégas fétidas do sofazão bonitinho da mamãe, logo logo estará tão fudido que será tarde demais para dizer não."
Recado dado!
"Ouça o que eu digo, não ouça ninguém"
Renato Dias de Sousa, jovem demode de temperamento inflamável pelo cotidiano em chamas.
Texto originalmente escrito no dia 31-08-2010
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