sexta-feira, 22 de outubro de 2010

DE VIOLÕES E DAMAS: UM AMOR ENTRE A CALÇADA E A VARANDA

De violões e damas: um amor entre a calçada e a varanda.

Ele sobe a rua com seu olhar vago de coração vadio, indomável.Ela não o espera na varanda pois não permitirá ao coração baixar guarda frente vilão munido de violão e dom.Aquela derma morena tão desejada, tão enganada, conhecia bem os anseios de homens como aquele, metidos a enxer-se de uma vocação natural de Rei Salomão.Se-a queriam tinham de trabalhar muito para aninhar seus ideais machistas entre as meiguices de seu corpo belo, comandado por uma mente poderosa.
Ela não era das fracas e nos olhares firmes que distribuia aos galanteadores demonstrava seu poder de Raínha Cleopátra.Seu coração estava guardado e esperava por homem disposto a derrubar dragões para tê-lo.Não havia lugar para desejo e noites rápidas de prazer, só havia espaço para sedução e são poucos os que podem desempenhar tal tarefa com grande precisão.Não são todos capazes de seduzir uma mulher ao longo de uma madrugada, não mulheres como ela; talhadas pelas mãos das divindades gregas; símbolos do orgulho feminino.Ela poderia muito bem atrair um rapaz qualquer para a sua teia virtuosa; para o seu leito do rual nenhum deles desejaria ir embora no dia seguinte mas, honrava a maternidade e só presentearia um sortudo homem o suficiente para ser pai.Somente um cavaleiro destas proporções poderia adocicar seu coração e seu café todas as manhãs, assim como poderia desfilar os lábios desejosos por seu corpo bem distribuido e refinado.
Esperançoso ele subia a rua, disposto a abandonar seus vícios e as mulheres da noite que sempre-o aguardavam nas esquinas famosas.Não pagava pelo pouco que elas ofereciam, não lhe custava nada dar a elas um pouco mais de atenção do que geralmente os clientes propiciavam; tão apressados em pagar e comer.Trazia consigo o violão e alguns sambas malandros, músicas lentas cheias de um romantismo banhado a luz da lua.Seu coração ansiava pela varanda aonde esperava encontrar sua deusa, não esperava ter de entoar serenatas mas suas mãos não se importariam em tocar todos os gostos da moça.Em uma conversa na noite passada descobrirá as sensações que o trágico fim de Iracema lhe traziam não só na voz do poeta urbano Adoniran mas, também na voz de quem pudesse erguer tal hino de infelicidade.
Seus passos avançavam contentes e temerosos, jamais exitará em disparar suas vocações sobre as damas fragéis das noites em que passava internado nos botequins do centro mas, agora se deparará com uma deusa cujo coração estava fortalecido atrás de armas e teria de trabalhar muito para alcançá-lo.Em sua mente desenhava uma nova canção e pensava em tocá-la para ela depois que pudesse registrá-la em algum papel qualquer.Ele caminhava em ritmo semelhante ao do coração da dama não tão distante que, por alguma razão; decidirá costurar a noite, sentada em uma cadeirinha e com seu corpo negro a invejar a lua alva.

Autor desconhecido....(?)
R.Dias

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