terça-feira, 16 de novembro de 2010

O tempo caminha meu bem...

“Ela está com pressa, quer logo largar louca e acelerar por essa vida mas eu peço calma; peço tempo.Acariçio teu rosto embrulhado em seda e reduzo a voz.Encosto meus lábios aos pés dos ouvidos mulatos, alivio o emaranhado de cachos rebolantes e me conçentro para que minha voz não alcançe somente o cerébro mas também a alma: “Um grande golpe descosturou o pouco pano que restará de nossas vidas.Não faz muito tempo que nos colocamos a costurá-lo mas já temos um lençol para blindar nossos corpos, quando compartilharmos do mesmo leito portanto; meu bem; tenha a devida calma.O mundo há de se curvar perante a nossa paciência e tudo será vivo”. Ela me escuta mas os meus olhos vêem os dela se comprimirem; para o meu desespero.Serão lágrimas que a essa altura escorre daquelas duas pérolas de mel?Guardo em meus braços tua cabeça que mais parece um ninho erguido em cachos e mais uma vez, com a voz reduzida; digo a ela que há de ser regido pelo canto dos passáros o novo amanhecer.”

Para ela que conhece o destinatário desse texto...

BREVE NOTA DE REPÚDIO À IMPRENSA:

Ainda falando sobre o ENEM desta vez vou me agarrar à cobertura das manifestações e atos menores contra “os erros na elaboração e na aplicação do exame”.Mais uma vez a mídia jogou sujo publicando textos e matérias que tinham por vontade apenas macular o movimento que saiu às ruas nos ùltimos dias.Por diversas vezes foi dito que as passeatas não eram contra o ENEM em si – por mais que eu; particularmente; veja erros sistemáticos na prova – mas, em favor de uma atenção maior à tudo o que está relacionado à educação neste país e; consequentemente; contra o descaso dominante.

Alguns jornalistas de uma ética profissional péssima, apostaram grande em manchetes garrafais quase sempre composta de duas palavras muito significativas “CONTRA ENEM”.Ao folhear um jornal qualquer um imbecil poderia se deparar com uma manchete dessas e; “em favor dos mais pobres”; condenar os manifestantes como se todos fossemos um bando de riquinhos contrários ao ENEM.O movimento em si não é contra a prova, isso ficou claro mas alguns péssimos jornalistas insistiram nisso, provando que em pleno século XXI a mídia não é inparcial, muito menos democrática.

Não sabemos se a intenção dos respectivos jornais era; de alguma forma; atingir o atual governo; ainda mais após a vitória no ùltimo pleito.O Estado de São Paulo; por exemplo; é Serrista e ferido com a eleição de Dilma poderia muito bem alfinetar a gestão petista com os textos que sujaram a intenção das passeatas.Me entristece tão conceituado marca jornalística apelar para um golpe tão sujo, não sou petista e muito menos estou satisfeito com o resultado da eleição – e estaria em depressão se o carequinha vencesse – mas, usar os estudantes como arma para ferir uma vitória democrática é deixar claro que não se trata de um jornal ético.

Renato Dias,texto originalmente escrito no dia 15 de Novembro.

O ENEM REPRODUZ AS FALHAS DE UM SISTEMA FALHO:

Boa noite:

As falhas em mais uma edição do ENEM lançam luz sobre o descaso generalizado com que o estado encara a educação, os levantes críticos são meras consequências já que a prova não é realizada apenas por quem saiu do sistema público portanto, alguns estudantes cujos pais sustentam cursos incrivelmente caros também foram prejudicados, elevando a gravidade dos erros do INEP.

Por todo o país eclodiram uma série de manifestações na ùltima semana, estendendo-se até hoje quando sobre o asfalto da avenida Paulista marcharam diversos estudantes.Até então a batalha judicial aberta pela anulação do exame chegou ao fim com a vitória do governo que, defendeu a aplicação de uma outra prova para os candidatos amaldiçoados com a prova amarela, o que ao meu ver foi uma deçisão prudente.

Bom, eu estive na manifestação realizada na manhã de hoje na capital paulista e entre os participantes sobressaía-se o consenso de que a educação é uma piada neste país.Isso me alegra afinal é uma demonstração tímida de que nem toda a juventude está vidrada em calças coloridas e cortes escrotos, há poucos que ainda se preocupam com o universo ao seu redor.

É muito díficil discutir educação devido à amplitude do tema mas a participação estudantil é mais do que fundamental.Não falo da UNE – ninho petista – nem da ANEL, falo de estudantes interessados em um sistema de ensino apartidário e apolítico, voltado unicamente para o saber em todas as àreas possíveis.As escolas devem deixar de ser fábricas de mentes enlatadas; reprodutoras da alienação reinante num país de promessas e se tornarem casas de conhecimento; força motriz para um futuro diferente e humano.

Me preocupa deixar nas mãos dos políticos e dos intelectuais as discussões em torno das mudanças no sistema público de educação.Interessa mais aos estudantes aprimorar o ensino do qual são aprendizes portanto, devemos ser ouvidos e muito mais do que isso, temos de ter poder de decisão e temos de deixar claro que governo algum é imune a críticas, seja ele de qualquer partido ou visão política.

Enfim, talvez as manifestações passem sem germinar nada para o futuro, infelizmente assim são as coisas por aqui mas, me esforço para ter um pouco de alegria por ver nas ruas os suspiros de uma juventude; imersa num sistema educaçional que mais parece uma fábrica de escravos para o tão falado mercado de trabalho.Precisamos levar para as salas de aula o debate sobre as reformas necessárias para a educação no Brasil afinal, nelas estão aqueles que serão o futuro não só deste país mas de todo o planeta.

Renato Dias de Sousa, texto escrito originalmente no dia 15 de Novembro.