“Ela está com pressa, quer logo largar louca e acelerar por essa vida mas eu peço calma; peço tempo.Acariçio teu rosto embrulhado em seda e reduzo a voz.Encosto meus lábios aos pés dos ouvidos mulatos, alivio o emaranhado de cachos rebolantes e me conçentro para que minha voz não alcançe somente o cerébro mas também a alma: “Um grande golpe descosturou o pouco pano que restará de nossas vidas.Não faz muito tempo que nos colocamos a costurá-lo mas já temos um lençol para blindar nossos corpos, quando compartilharmos do mesmo leito portanto; meu bem; tenha a devida calma.O mundo há de se curvar perante a nossa paciência e tudo será vivo”. Ela me escuta mas os meus olhos vêem os dela se comprimirem; para o meu desespero.Serão lágrimas que a essa altura escorre daquelas duas pérolas de mel?Guardo em meus braços tua cabeça que mais parece um ninho erguido em cachos e mais uma vez, com a voz reduzida; digo a ela que há de ser regido pelo canto dos passáros o novo amanhecer.”
Para ela que conhece o destinatário desse texto...
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