domingo, 14 de agosto de 2011

"O pulmão de um mundo fumante."

Pode não parecer tão assombroso observar o comportamento humano pelo prisma de outras espécies, principalmente as consideradas irracionais porém, uma leve e breve reflexão já nos basta para questionar esse comportamento perturbador, que contraria a lógica natural e suas leis comuns à outras espécies:a lei da sobrevivência.Provido de razão e lucidez, o homem investe no desenvolvimento de meios cada vez mais eficazes na devastação de seu próprio meio, arriscando a preservação de sua classe conscientemente.

Talvez o ato de pensar não lhe pareça tão grandioso quanto é por ser tão instantanêo e natural, você-o faz agora enquanto lê mas por trás dele há um complexo sistema que-o torna
ùnico dentre as espécies, faz de ti uma criatura racional e lhe atribui inteligência mas, cá entre nós que tal adjetivo não condiz com uma raça que dá vida à própria morte, quando cria bombas nucleares ou explora fontes sujas de energia.Na verdade, a inteligência nem sempre anda de mãos dadas com a sabedoria no uso dessa grandiosa capacidade.É uma pena que tal virtude tenha se ausentado da lista de itens de série com a qual viemos ao mundo.

Digo isso para analisar a relação entre o homem e o meio ambiente e caso você, caro leitor, seja um urbanoite nato e incurável - destes com alergia do "mato" - creia-me, a floresta que cai não está tão longe de ti e da mesma forma que ela se deita, a àgua sobe e engole as casas da tua selva de pedra.Enquanto aqui estamos a dialogar sem jeito uma àrvore pode ser arrancada levando consigo a vida que só ela proporciona.Devido à destruição do bioma amazônico estamos reduzindo sua capacidade de armazenar carbono, elevando a quantidade encurralada abaixo da camada de ozônio e por fim intensificando o aquecimento do planeta.Dessa forma a Amazônia vai se transformando no pulmão de um mundo fumante.

Aparentemente, as florestas e as cidades são mundos divididos por um abismo profundo quando na verdade, há um precípcio sobre o qual escorregamos conscientemente.Todos os anos lamentamos as milhares de mortes que acompanham as intensas chuvas de janeiro.Logo se levantam hipotéses fugídias e não tarda a acusação de que a culpa está com São Pedro.Ao responsabilizar um mito folclórico ignoramos o fato de que aquela grande mancha verde está se esvaindo do mapa mundi, seja pelas mãos de agropecuaristas desonestos - seja para o plantio de soja, seja para a criação de extensos pastos - seja pelas madeireiras, carvoarias e coisas do tipo.Da mesma forma que avança o ritmo de queda das àrvores, também se intensifica o regime de chuvas sobre as grandes cidades brasileiras.

Não faz sentido observar as causas de problemas tão prejudiciais e não agir em sua solução.Não faz sentido manter de pé termoelétricas que estão diretamente ligadas à questão das chuvas àcidas, problema que afeta não só a qualidade mas tambem a quantidade do que é plantado.Já não é inteligente erguer hidrelétricas elaboradas há mais de trinta anos quando estudos - como o da Empresa de Pesquisa Energética, publicado na edição trimestral de outubro a dezmbro de 2010 da revista Greenpeace - revelam que o Brasil pode obter o equivalente a 26,4 vezes a demanda atual por energia, caso invista seriamente em fontes limpas de energia.Alegar que tais meios são desagradáveis aos cofres públicos é um argumento pobre, já que a razão destes valores está na carga tributária que pode sim ser desonerada através de um plano federal portanto, está nas mãos do governo alinhar esse país ao novo ritmo mundial e não é a ONU quem- o exige, nem os milhões de brasileiros interessados em uma nação melhor, é o planeta quem gradualmente aplica sua lei de ação e reação, selecionando aqueles que saberão aproveita-lo no futuro.


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