A alma fervia
em espasmos sobrehumanos
Os olhos se perdiam de tanto desfilar sem destino certo
Sem parada...
Os braços adquiriram força sem igual e os dedos...
Deles se fizeram garras sem pudor ou piedade
à desfiar rubros fios de fome das suas costas
Os lábios se abraçavam sem pena
num emaranhado labirintico
ritmo caótico de mares revoltos
e se ouviam sons, incompreensíveis, irracionais
cânticos tribais...ritos pagãos
orquestra feroz
rasgando o manto estrelado em que a lua se deita
ecoando no romper da noite
violando o silêncio da madrugada
sem trégua, sem métrica, sem regra
humanos, mundanos, profanos
contato intenso e descontrolado
vidas amarradas sobre o mesmo leito
disputando o mesmo espaço num belo entrelaço
perpetuando pelos dias
na aurora ou nas horas mais tardias
a loucura e a sina
do viver de se atrever
na busca da felicidade
e a cidade era só paisagem sólida de solidão
à varrer com suas janelas turvas
toda a imensidão daquele doce embriagar multiplo
d'onde vibra o mais
instintivo e profundo lado do ser.
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