Há tempos não disparo em letras o que penso acerca de determinados temas, realmente faz tempo.Não que eu tenha transformado esse blog num simples canal de poesia ou quem sabe mera válvula espiritual de tudo que vejo ou sinto, é que além da falta de tempo livre tambem tenho me empenhado em outras coisas.Acabo por fugir do computador para procurar refúgio na realidade mas sei que lá tambem não encontro teto que me guarde, e tambem quem disse que procuro tetos? Enfim...
Diante das discussões dos ùltimos dias sobre ideologias, ocupação de reitoria ou de viaduto e tudo o mais, me senti inclinado à escrever sobre e como somam-se longos dias em que não posto nada mais realista nessa página, acho justo devolver minha atenção aos rumos políticos da minha vida e lá vamos nós, mesmo sem saber para onde.
Primeiramente quero esclareçer minha posição acerca do que houve na USP quando da detenção dos três jovens, pêgos num salve pra Jah - Não resisti.A ocupação da FFLCH e a consequente invasão da reitoria tem suas razões e acredito que ambas não estão atadas somente à ação policial, a verdade é que ela serviu de estopim para a eclosão de um movimento insatisfeito com a duvidosa eleição de João Grandino Rodas para a reitoria, logo vejo nesse ponto sua legitimidade e creio que é uma luta à ser incrementada, é vexatório que uma universidade pública tenha seu processo eleitoral tão restrito e passível de dominação política por determinados grupos coincidentemente ligados aos governos estaduais.Quanto ao conflito com os policiais cabe ressaltar que numa situação contrária a polícia não pensaria duas vezes em armar um massacre, a midia jamais se manifestaria num tom tão circense como-o fez diante da ação dos estudantes.Não quero aqui defender a violência pois acredito que só há mudança quando não se repete as desumanidades contra as quais lutamos mas, antes de se alvejar os grupos que confrontaram a pm tambem devemos avaliar a postura da corporação que só se prontificou à negociar por ser minoria no local, se a situação fosse outra não se ofereceria diálogo senão via cacetadas.
A FFLCH é um braço dissidente de uma USP cada vez mais prometida às elites paulistas e, num país em que a estabilidade econômica dita a política nacional; qualquer movimentozinho é taxado de radical, fora de contexto e todas as outras aplicações preconceituosas do extenso vocabulário febril da Veja.Atribuiu-se aos ocupantes um comportamento selvagem quando temos tropas de choque à serviço do estado massacrando pessoas em manifestações ou desocupações de favelas, como o que foi feito recentemente na destruição de uma comunidade em Ribeirão Preto e, diferentemente da atenção dedicada aos estudantes,a midía logo engole os abusos policiais legitimando toda essa loucura saudosista de tempos em que a farda; oficialmente; valia mais que a constituição.
Tambem observei muitas critícas quanto ao fato de alunos reclamarem dos abusos durante a desocupação da reitoria pela Choque, comparados à ditadura e muitas pessoas de alta idade disseram: "Eles não sabem o que foi a ditadura" bom, claro que não sentimos na pele os golpes da época mas os livros estão aí, as pessoas estão aí e ambos não são fonte das crueldades daqueles tempos? Ora, para que serve a história senão fazer do passado base para futuros melhores?Documentários, capítulos inteiros de livros de história, apostilas, professores perseguidos e homenagens às vitímas não são meios de acessarmos algumas informações do que foi nosso país um dia, e assim evitarmos que tudo aquilo se repita?
Os radicalismos são adúlteros em sua turbulenta relação com os princípios e é preciso desvelo para não se ferir a consciência.Não apoio exageros como o apedrejamento das viaturas mas compreendo o fato como uma explosão, um sentimento descuidado de quem sentiu os abusos de uma corporação despreparada sem jamais obter uma resposta em favor de mudanças nesse sentido.Não construo aqui uma justificativa geral, reafirmo o que vejo como um tropeço do movimento mas isso não arranca dele a sua legitimidade dentro de um contexto; contexto esse que precisa ser mudado e talvez os tijolos com os quais construuiremos essa mudança precisam ser repensados.
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