A noite é um mergulho num abismo insano
velado por paredões de pedra crua
são espinhos, garfos e pinças nas quais se enroscam as estrelas
condenadas à emoldurar de brilho o corredor vertical
a timida palidez de cada uma se transforma em vaidade
cresçem em força e astúcia até que com a luz
desnudam o caminho adiante
seus raios fatiam os trajes puritanos da madrugada incestuosa
na qual misturam-se os mistícos gracejos da manhâ
às imposições severas de uma lua fogosa que teima em ficar
o sol rompe as nuvens-naus que bailam na escuridão
num gozo profundo de jorrar um novo dia
num derrame louco de cabelos dourados que se deitam sobre a terra
e tudo ganha sentido ante os olhos fatigados
levanta-se a orquestra urbana com sua opera de concreto
todo o silêncio de cada um tragado pela ferocidade
do dia de engrenagens que se abre
sem muito tempo para nada senão
a inestimável vaidade com seu ar inexplicável.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Quando a sensatez se atrofia depois de algumas horas diante de um livro
A cultura é composta por um conjunto de conceitos hereditários transmitidos através da aprendizagem, ou seja, através da linguagem.Sendo esta última um conjunto de signos próprios de cada sociedade, logo torna-se a linguagem um instrumento através da qual desenvolve-se a transmissão da cultura dos povos.
A nossa própria cultura manifesta-se rotineiramente de forma tão repetitiva que se torna comum e seus aspectos se tornam invísiveis.Não reparamos ao longo dos dias que falamos de um determinado jeito, valorizando uma ou outra letra e explorando sua sonoridade - como o "r" pronunciado com maior enfâse pelos paulistas e o "s", igualmente utilizado pelos cariocas - e só ganhamos noção disso quando confrontados com as diferenças, formas distintas de; por exemplo; pronunciar uma mesma palavra.
Por mais saudável que seja sob a òtica do entendimento da diversidade, esse choque entre culturas distintas muitas vezes alcança um sentido literal, gerador de intolerância ou até mal-estar.Isso pode ser observado nos conflitos religiosos no oriente médio em que as culturas ocidentais cristâs confrontam os muçulmanos, historicamente ligados à essa região oriental.Habituados à um conjunto de padrões seja para a produção de uma vida material seja espiritual, um determinado grupo religioso considera que não é correta nenhuma manifestação cultural distinta da sua e dessa divergência muitas vezes nasce o conflito, violentamente igual para ambos à despeito de suas crenças.
Logo chego à pensar - sob o risco de uma imaturidade juvenil - que não se podem culpar as culturas pelos confrontos derivados de suas diferenças.Se há alguem digno da responsabilidade somos nós humanos, cujo desenvolvimento ainda não alcançou o entendimento da diversidade como uma riqueza.A formação individual está submetida à muitas coisas e não só àquilo que se ensina como correto coletivamente, portanto os preconceitos sexuais tambem são frutos deste comportamento senil que viola a individualidade em prol de uma massificação de valores.Deve-se acima de tudo respeitar cada pessoa...
Renato Dias de Sousa, alucinado pelo òcio pós horas de estudo...
A nossa própria cultura manifesta-se rotineiramente de forma tão repetitiva que se torna comum e seus aspectos se tornam invísiveis.Não reparamos ao longo dos dias que falamos de um determinado jeito, valorizando uma ou outra letra e explorando sua sonoridade - como o "r" pronunciado com maior enfâse pelos paulistas e o "s", igualmente utilizado pelos cariocas - e só ganhamos noção disso quando confrontados com as diferenças, formas distintas de; por exemplo; pronunciar uma mesma palavra.
Por mais saudável que seja sob a òtica do entendimento da diversidade, esse choque entre culturas distintas muitas vezes alcança um sentido literal, gerador de intolerância ou até mal-estar.Isso pode ser observado nos conflitos religiosos no oriente médio em que as culturas ocidentais cristâs confrontam os muçulmanos, historicamente ligados à essa região oriental.Habituados à um conjunto de padrões seja para a produção de uma vida material seja espiritual, um determinado grupo religioso considera que não é correta nenhuma manifestação cultural distinta da sua e dessa divergência muitas vezes nasce o conflito, violentamente igual para ambos à despeito de suas crenças.
Logo chego à pensar - sob o risco de uma imaturidade juvenil - que não se podem culpar as culturas pelos confrontos derivados de suas diferenças.Se há alguem digno da responsabilidade somos nós humanos, cujo desenvolvimento ainda não alcançou o entendimento da diversidade como uma riqueza.A formação individual está submetida à muitas coisas e não só àquilo que se ensina como correto coletivamente, portanto os preconceitos sexuais tambem são frutos deste comportamento senil que viola a individualidade em prol de uma massificação de valores.Deve-se acima de tudo respeitar cada pessoa...
Renato Dias de Sousa, alucinado pelo òcio pós horas de estudo...
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Reflexões sobre o caos
O caos como sinônimo de desordem revela a incapacidade coletiva acumulada ao longo de séculos sob regimes de governo que, propositalmente, minimizaram a ação consciente dos individuos membros de forma tal que; quando ausente o poder controlador, a instintividade e o egoísmo tornam-se instrumentos não de convívio, mas sim de sobrevivência.O Estado se beneficia da idealização do caos como uma situação hostil a coletividade.A história nos mostra que por via dessa projeção muitos grupos conservadores alcançaram altos postos dentro da organização estatal, valendo-se de argumentos que construíam cenários desastrosos e desumanos em que a ausência de um governo oficial permitiria a ascensão da "bagunça".Sob a guarda destas ilustrações sociais, muitos grupos radicais apossaram-se dos governos para do topo disseminar ideais que desconstruiam o conceito de humanidade, tentando legitimar por meio da força a falsa tese de que, dentre os seres humanos; alguns se destacariam por uma questão de superioridade.Por fim, concluo que o caos representa sim a perda de uma noção de coletividade mas isso deve-se a educação deficitária, que sempre valorizou a submissão e nunca a formação de indivíduos conscientes de sua autonomia.Não se trta de um golpe à existência do Estado nem sua demonização,mas sim uma crítica à sistemática educação do medo, à disciplina da dependência e do paternalismo, um ser governado governa acima de tudo; a si próprio.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Quando a alma se dobra
Me pergunto para onde vai teu sono manso
Por quais campos de sorte caminha sua alma serena
enraizada nos lençóis mais puros e plenos da terra
O alcance dos meus versos me é ocultado entre as paredes do teu silêncio
Queiram os deuses atender meu humilde pedido
que embrulhem cada letra e palavra e frase num invólucro feito de carinho
e desejo.
Gestos meus partidos ao longo do caminho.
Pedaços sem vez nem encaixe.
Procuro no vazio rastros de tua calda meteórica
no escuro me lanço como quem salta ao abismo
despenco, me espalho e abro espaço
sobre teu lençol oceânico de imensidão sem horizonte
indomável mar bravio que se desdobra de ira e paixão tenaz
me abrigo no desfile pelos trópicos de seda
deixo marcas sobre a fritante areia de suas praias
recuso mapas e me aventuro vislumbro as matas tão rasteiras
me embrigado nas àguas de tua ceia
o cálice profano que me oferece com gestos não humanos
as palavras, os convites, as promessas, os planos
todos me acariciam de canto a canto.
então emergem teus cânticos pagãos assaltando a compreensão
submerso em ti não sei de mim
mas assim descubro e traduzo cada pedaço teu
encontrei meu lar na vibração paradoxal de sua alma
suas cordas tão delicadas como as de uma harpa
fecundam sons tão intensos e turbulentos quanto os de uma guitarra
à embalar luas inteiras.
Lá vem a página mais distante
sobe para anunciar fim a nosso espetáculo.
As letras antes tão retezadas agora se derretem
Seu texto insano converte-se num mar salgado
nele mergulho e navego
com lábios, espirito e por inteiro
me rendo à dependência sem fim
vicio que me faz teu.
Por quais campos de sorte caminha sua alma serena
enraizada nos lençóis mais puros e plenos da terra
O alcance dos meus versos me é ocultado entre as paredes do teu silêncio
Queiram os deuses atender meu humilde pedido
que embrulhem cada letra e palavra e frase num invólucro feito de carinho
e desejo.
Gestos meus partidos ao longo do caminho.
Pedaços sem vez nem encaixe.
Procuro no vazio rastros de tua calda meteórica
no escuro me lanço como quem salta ao abismo
despenco, me espalho e abro espaço
sobre teu lençol oceânico de imensidão sem horizonte
indomável mar bravio que se desdobra de ira e paixão tenaz
me abrigo no desfile pelos trópicos de seda
deixo marcas sobre a fritante areia de suas praias
recuso mapas e me aventuro vislumbro as matas tão rasteiras
me embrigado nas àguas de tua ceia
o cálice profano que me oferece com gestos não humanos
as palavras, os convites, as promessas, os planos
todos me acariciam de canto a canto.
então emergem teus cânticos pagãos assaltando a compreensão
submerso em ti não sei de mim
mas assim descubro e traduzo cada pedaço teu
encontrei meu lar na vibração paradoxal de sua alma
suas cordas tão delicadas como as de uma harpa
fecundam sons tão intensos e turbulentos quanto os de uma guitarra
à embalar luas inteiras.
Lá vem a página mais distante
sobe para anunciar fim a nosso espetáculo.
As letras antes tão retezadas agora se derretem
Seu texto insano converte-se num mar salgado
nele mergulho e navego
com lábios, espirito e por inteiro
me rendo à dependência sem fim
vicio que me faz teu.
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