Me pergunto para onde vai teu sono manso
Por quais campos de sorte caminha sua alma serena
enraizada nos lençóis mais puros e plenos da terra
O alcance dos meus versos me é ocultado entre as paredes do teu silêncio
Queiram os deuses atender meu humilde pedido
que embrulhem cada letra e palavra e frase num invólucro feito de carinho
e desejo.
Gestos meus partidos ao longo do caminho.
Pedaços sem vez nem encaixe.
Procuro no vazio rastros de tua calda meteórica
no escuro me lanço como quem salta ao abismo
despenco, me espalho e abro espaço
sobre teu lençol oceânico de imensidão sem horizonte
indomável mar bravio que se desdobra de ira e paixão tenaz
me abrigo no desfile pelos trópicos de seda
deixo marcas sobre a fritante areia de suas praias
recuso mapas e me aventuro vislumbro as matas tão rasteiras
me embrigado nas àguas de tua ceia
o cálice profano que me oferece com gestos não humanos
as palavras, os convites, as promessas, os planos
todos me acariciam de canto a canto.
então emergem teus cânticos pagãos assaltando a compreensão
submerso em ti não sei de mim
mas assim descubro e traduzo cada pedaço teu
encontrei meu lar na vibração paradoxal de sua alma
suas cordas tão delicadas como as de uma harpa
fecundam sons tão intensos e turbulentos quanto os de uma guitarra
à embalar luas inteiras.
Lá vem a página mais distante
sobe para anunciar fim a nosso espetáculo.
As letras antes tão retezadas agora se derretem
Seu texto insano converte-se num mar salgado
nele mergulho e navego
com lábios, espirito e por inteiro
me rendo à dependência sem fim
vicio que me faz teu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário