Não sei o que faz estendida sobre a cama, será descanso?Mas que repouso encontra assim, estática e contemplativa diante da parede?Ah eu não sei e minha razão não me permite deduzir ou imaginar.Quando-a acaricio lentamente sinto romper o silêncio até então veredito, e todo o seu corpo se contorce de alegria e ansiedade e movem-se suas patas e orelhas, e ela se volta para mim pendurando de um hemisfério a outro um sorriso sem palavras; um gesto de compaixão e entendimento.E ela vem rebolando e cheia de dança tentando premiar a si própria com minha atenção, deita-se carinhosamente sobre meus dedos e procura neste simples contato me dizer que precisa de carinho.Ah, tão pequena e tão grande ao mesmo tempo, tão senhora de si e de mim, como pode tão singela criatura ter sido abençoada com olhos tão negros e doces quanto uma jaboticaba.Eterna criaça deita-se de novo mas suas orelhas estão de pé, qualquer simples obstrução no ar será captada e sei que ela vai se virar para mim, como se esperasse mais carinho e mais brincadeiras, como se esperasse de mim o que realmente sou.
Meg.
Renato Dias de Sousa
ouuun *--------------*
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