Quebra-se o silêncio da aurora enfumaçada.A luz pálida e timída abraça as janelas de vidro e ferro, a cidade das grades.Do alto dos prédios acende o despertar dos muitos, lá embaixo o asfalto gélido ainda espera o singelo contato solar.O berro ensandecido do despertador irrompe e devasta, aos saltos estão todos preparados para o dia que se abre prematuro.Vestem-se, parece até uma dança sem coreografia os movimentos temperados de pressa.Estão prontos.
Elevador a
b
a
i
x
o
Abre-se a porta, emergem os congestionamentos.Fileiras de máquinas penduradas pelas ruas feito roupas nos varais, feito naus entregues ao sabor dos ares num mar virgem de ventos.Pelos trilhos as serpentes metálicas engolem multidões, cospem os restos das outras e seguem em frente, caladas.A cidade do concreto apresenta-se para mais um espetáculo.
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