terça-feira, 22 de maio de 2012

A aurora externa ao casulo

O corpo se lança sobre a cama, a mente mergulha nas profundezas do travesseiro. Da janela em diante uma noite de céu vazio, a humanidade concretada já não interessa mais às estrelas.

Mil pensamentos me abatem e assaltam a condição sonolenta que me encaminhará àquele estado. Mares degladiam-se dentro de mim, tempestades despencam sobre meu intímo e já não reconheço minha própria forma. As nuvens negras que desfilam no céu tumular refletem meu mundo estendido sobre os lençóis, não quero me levantar, não quero reagir, meus oceanos transbordam com maremotos que ascendem aos olhos e sinto um desejo nuclear de explodir, explodir em silêncio, em segredo.

Quando me enviarem à imortal prestação de contas perante o crivo do Grande Construtor, hei de fazê-lo ouvir todas as minhas queixas diretas à falsa perfeição com que erguerá sua obra. Em toda a sua experiência de Senhor do Universo como poderia plantar em sua maior realização seres tão complexos? Espero que ele não me venha com desculpas ou justificativas celestiais, que me envie logo às profundezas e silencie em mim todos estes questionamentos. Talvez sua arrogância elevada à potência divina jamais admita o fracasso na construção dos homens, faltou um botão para ejetar e disparar do corpo rumo à imensidão eterna, sem necessidade de explicação. Explodir e se dividir em milhões de pedaços essenciais à se esparramar pelo mundo, nas velhas tempestades.

A embriaguez foi uma invenção mundana especial pois poucos remédios ceifam as raízes humanas. As garrafas vazias inundam a alma de uma liberdade para "ser" que rompe as portas e grades do bom senso, aí eclode o verdadeiro homem em lágrimas ou sorrisos, a sinceridade sem cêra. A sanidade ludibria, sepulta e submerge o verdadeiro homem dentro de padrões que nas profundezas do ser perfuram-no aos poucos, fazendo com que ele sangre, sangre, sangre e então é o sangue quem aspira à superfície e contra ele não há obstáculo páreo, de forma tal que repentinamente tudo desaba e a vida parece vazio; um vazio suportado por décadas que mais parecem séculos e no reflexo de vidro saltam marcas, sentenças e fissuras de tristeza e um desejo brota para nem tão cedo se quebrar: o desejo de partir.

Caramba! Eu queria explodir, eu realmente queria explodir e me preencher da sensação de abraçar o mundo aos pedaços, de ser ao mesmo tantos de tão pouco. Aguardaria por dias secos que fariam das nuvens baús fartos de umidade, prontos para chorar e chorar inundando a dor dos homens e então, eu acionaria dentro de mim a própria bomba carregada no peito, ela que me distribui a vida individual se partiria em porções múltiplas transportadas pelos ventos até os céus e de lá; com a primeira grande tempestade; eu gostaria de despencar sobre a humanidade...eu gostaria de chover sobre a humanidade.

Ferir dói...

"Frutos do mundo, somos os homens"

Renato Dias de Sousa, terrorista de si mesmo

O CÉU NAS POÇAS DA CIDADE


Caminhar a noite pela cidade chuvosa pode adquirir contornos mágicos. Moram nas poças tingidas sortilégios mil, destes que acorrentam os olhos. Os passos avançam lentamente sem querer ir embora, sem querer seguir talvez mas como vai um corpo que não deseja? Quem está no controle quando não se quer aquilo que se faz, mas que contrariedade violenta e complexa esta que emerge sob a sola dos pés, o lençol da vida se estende e desdobra.

Nas poças filhas da chuva reside o reflexo dourado dos postes de luz, tão poucos acesos já foram o suficientes para abrilhantar a rua, tradicionalmente invísivel tamanha penumbra que em torno dela se levanta, guardando-a dos nossos olhos. Meus pés parecem dançar sozinhos, parecem contentes por saborearem mais uma vez a rua, o asfalto temperado de céu.

Não penetram em meus ouvidos o som dos disparos distantes, em algum lugar algum revólver cuspiu fogo mas sob a determinação de algum dedo, somente um movimento humano poderia quem sabe engatilhar o consequente fim do outro. Foram vários, ouvi cada um pela metade para que não se cravassem em mim feito parte da memória de um domingo chuvoso, que não sejam as gotas dominicais parte de um cenário mortal na segunda feira, por favor, que não seja uma noite cuja chuva lave as madeixas de mães chorosas, saudosas de vidas que partem nos delírios periféricos.

Cruzo o portão, aproximam-se cada vez mais as paredes de meu lar. Será mesmo um lar ou aqui fora está meu reino? Com sua extensão sem fim e cuja única fronteira é meu medo. Pareço pensativo, não sei bem e não me atrevi lançar os olhos no reflexo que se desenha na porta envidraçada. Sei bem que não preciso saber de mim, não preciso olhar quem sou. Quero apenas me carregar e arrancar da vida versos, extrair dos cantos algo vivo e pulsante, algo...

A vida é realmente fantástica quando tem ruas molhadas, com suas poças espelhos e baús guardando a luz que vem dos postes e da lua. Terá o asfalto negro inveja do céu profundo de noite universal?

Bem queria o asfalto que os carros fossem estrelas, o céu também.


"Mesmo se as estrelas começassem à cair e nos queimasse tudo ao redor, e fosse o fim chegando cedo e você visse o nosso corpo em chamas"

Renato Dias de Sousa, tentando extrair dos dias um pouco de vida e da vida mais dias vivos.

domingo, 13 de maio de 2012

A Geografia dos Medos

 Perceber a cidade pode parecer simples demais como se bastasse deitar os olhos sobre toda a sua riqueza morta. Com seus prédios e ruas estreitas, tomadas por carros, a cidade nos abraça e veda sem que possamos desnudá-la e assim expor o quanto seu concreto é crú. 

 Perceber a cidade é senti-la sob os pés a cada passo, apalpar teus muros e poucas plantas num desejo ardente de compreensão. Tocá-la como quem percorre um corpo nu nas pontas dos dedos, atiçando a fome ali guardada, estudando suas contradições. Os olhos não bastam senão para convidar à aproximação, fundar na terra de alvenaria raízes que subvertam a geografia do desespero, que cada vez mais afugenta as pessoas do ambiente público para interná-las no seio do privado, aninhá-las do ambiente de convívio para mantê-las sob controle no intimidade do lar tão preservado.

 Quando teus olhos percorrem uma série de sobrados comerciais sitiados por grandes edifícios o que pensar? Um olhar descuidado ou quem sabe vazio de sensibilidade, não enxergaria nada além do exposto, nada além do que querem lhe mostrar. Distintos são os olhos perspicazes dos famintos, cujo foco perfura e se aprofunda; cava e prospecta o verdadeiro sentido do mecanismo urbano. A cidade se desenvolve e se renova engolindo o próprio espaço, uma autofagia antropofágica seguida de uma reciclagem orientada pela lógica capitalista. A produção do urbano se orienta cada vez mais para a transformação num sentido potencialmente administrativo, em que bairros inteiros tem sua função residencial deletada da superfície, toma seu lugar uma outra vocação: a dos altos prédios tomados por janelas.

 A especulação imobiliária (ou socialização contraditória como diz Marx) conta com uma permissividade de um Estado quase cego, que se vê sem muitas opções diante do direcionamento dos investimentos públicos no espaço urbano. As ações de reurbanização nas quais se argumenta uma busca pela recuperação do espaço, muitas vezes tem na verdade um espírito pautado pelo privado se beneficiando do público. Projetos como os da "Nova luz" e como a recuperação do Largo da Batata parecem orientados para esse fim, quebra-se uma lógica presente para se injetar uma nova orientada pelas relações de capital.

 Quem cruza o Largo da Batata no coração do bairro de Pinheiros, nota que em torno dos pontos de ônibus centrados na extensa praça concretada, desenvolve-se uma famigerada inversão da lógica micro-comercial da região. Os botecos e pequenas casas de show estão sendo aos poucos expurgados pelas incorporadoras e construtoras, que estendem o sentido administrativo de prédios de escritório; característica da avenida Faria Lima; para lá. Do ponto de ônibus tem-se a sensação de que os prédios são plantados como que cercando a região, uma noção aterradora do espaço público como espaço democrático de coletividade.

 Não faço destas palavras as expressões de um pensamento urbanista técnico. O texto de uma ponta a outra é a simples transposição de uma série de reflexões para palavras ordenadas, ou quem sabe desordenadas mesmo, fruto de um pensamento caótico. A cidade está me assustando quando cresce verticalmente eliminando cada vez mais o público, projetando ambientes que isolam as pessoas dentro dos muros, fortificações de espírito feudal que reúnem as principais necessidades humanas que nos levam a ter contato uns com os outros. Eis a Geografia do Desespero, aquela que preza por um espaço cada vez mais restrito e elitizado em detrimento da coletividade, da convivência e do bem estar. 

 "Em breve, menos sol e mais concreto"

Renato Dias de Sousa, um simples graduando de Geografia.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Poupem-me de mim

Os mapas mostram o mundo em sua imensidão plana e vazia, artificialmente colorida tantas vezes conforme a participação humana em sua elaboração. Abre-se um atlas e tem-se diante dos olhos o mundo colonizado, centrado no atlântico cujas àguas renderam tanto aos exploradores europeus. Para se localizar basta deitar os olhos e descer, descer até se alcançar a porção dos desgraçados, a região dos controlados sobre os quais por tanto tempo se debruçou a ingerência externa, aonde agora reina a falsa ideia do desenvolvimento ágil e livre de consequências, a revolução que comercializam na tv quando mostram que deixamos de ser terceiro mundo para galgar o G-20 dos emergentes, sobreviventes em meio ao caos da economia global prostituida.
Enquanto isso nos bares redescubro mil histórias de homens vindos das obras, os filhos do desenvolvimento voador, do solo em que se planta obras de concreto. A alvenaria roubando vidas que se internam nos botecos e passam madrugadas inteiras, bebendo e brigando, brigando e bebendo. De vez em quando algum explode de vez e se arma de uma cadeira, tenta quebrá-la nas costas de outro que de tão bebâdo tem nos passos o maior dos obstáculos e você cruza esse cenário, tem de sobreviver à ele e se não conseguir desista: o mundo não é para você.
Os intelectuais isolam-se disso e constroem ninhos de celulose em escritórios insalubres. De lá elaboram milhares de explicações muitas vezes válidas para o fenomêno da construção cívil, um dos setores expoentes do atual momento vivido pelo país. A construção cívil que gera emprego e orienta a corrida econômica, arrastando multidões do nordeste e do norte para todas as porções do país enredadas pela copa do mundo, que bate à porta triunfal clamando pelos ufanistas.
A qualificação técnica produz fileiras de mão de obra digna do século XXI. São homens e mulheres preparados para manobrar as máquinas por longas horas de seu dia, suas vidas se resumem à isso e por fim entregam-se aos mesmos bares, às mesmas bebidas. Já se elaboram pesquisas nos mesmos escritórios insalubres dos intelectuais de torres de papéis, estudos que mostram o quanto as mesas de botequim tem sido financiadas pela mão de obra qualificada do novo Brasil, o país da democracia racial e a classe média de ponta a ponta da nação equidistante...a nação do faz me rir, ou devo dizer Estado? Talvez ainda não exista uma nação no coração atlântico oriental da américa do Sul.
Talvez seja esse o melhor caminho, que de segunda às sextas destruam-se os operários desconstruidos nas construções por aí espalhadas aos montes. Sejam eles as bases de um país que procura se desenvolver sem ver quem vem embaixo, sem conhecer a própria sombra. Cria-se diferentes contextos sócio-econômicos nos intímos da falida soberania para se estimular os fluxos de sonhos, a busca pelos oásis da classe média que cresce e ganha força na definição dos rumos do país.
Enquanto isso, nos bares e nos lares homens se embriagam cobertos de cal, misturam-se ao concreto das obras que tomam os direitos de habitação dos mais pobres. Sobre a guia estendem-se seus corpos curvados pela embriaguez, o organismo rejeita o entorpecimento pagão e gosmento que transborda e se precipta, a mais pura e sincera manifestação de repugnância.
Mas amanhece e o sol vem limpar as marcas sujas das noites nuas e cruas em que se revelam as chagas da nova sociedade, a classe média que encobre a própria merda para ocupar as colunas sociais.

 Renato Dias, venenoso.

Alvejando as pequenices da vida:

A humanidade tem lá suas complexidades idiotas, digo isso porque determinadas complexidades parecem crises de intelectuais quando na verdade não passam de babaquices mundanas. Homens e mulheres redigem extensas pesquisas traduzidas em centenas de páginas recheadas de letrinhas. São tantas que a maioria dos olhos cansados não se interessam por lê-las, começando pelos títulos que de tão extensos já consomem a energia mental. Inclusive, os títulos cansativos são um tentativa de ostentar intelectualidade.

Engraçado quando algum problemático qualquer procura nas paginas explicar coisas práticas, como por exemplo: os motivos que levam as pessoas à se lançarem dos mais altos andares dos prédios. Levando-se em conta a especulação imobiliária com sua insana plantação de edíficios por todos os cantos da louca cidade, tende à cresçer o número de desesperados que procuram num mergulho sobre o asfalto silenciar todos os apertos comuns à espécie.

Esses livros de auto-ajuda são os primeiros à apontar que você é sim um problemático. Se na noite anterior você e sua amada companheira não tiveram uma boa conexão o livro lhe dirá: "problema tal". Se ao despertar enfiou a testa no batente da porta do quarto o livro dirá que seu problema é ainda maior, ou seja, fodam-se eles com sua eterna busca por justificar nossa inperfeição.

Pessoas chovem dos andares mais alto porque simplesmente se cansam, resumidamente posso apelar às minhas liberdades e dizer isso. O suicídio deveria ser um direito constitucional, o que não mudaria em nada a situação atual das coisas. Da mesma forma que um homem procura a felicidade também desenvolve meios de escapar de suas infelicidades, quer outro melhor do que se espatifar sobre a calçada?

Somos uma espécie dificil com ares de auto suficientes, uma loucura só. A maior invenção divina mal consegue subsistir. A morte foi uma grande sacada universal pois tem como função por fim ao grande cansaço da vida. Quando se chega à casa da oitava década não se quer mais despertar para assistir à redução da vitalidade. Cícero foi um grande mentiroso, o homem resolve sua vida nos bares e sobre as mesas, esvaziando copos e garrafas...apontando o dedo para o céu e chamando ao criador para lhe dizer "que grande bosta a sua obra".

Renato Dias de Sousa, num dia exaustivo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Varau

O sussuro angelical cantou aos meus ouvidos tua chegada com a chuva de outono que trouxe do céu as estrelas que via do quintal.
 E num sopro só o vento acertou as folhas de minha janela levando-as noite afora para tão longe que de quando em vez vejo ainda um pouco mal seus saltos sobre as nuvens do horizonte.
 O sol há de vir imponente banhar de ouro a relva do novo dia sobre a qual escorrerá de corpo e alma para abraçar todo o mundo teu não meu diga-me como deito-me do teu lado.
 Tão bela vestida de azul esverdeado dos mais amarelos tons de dias de primavera como pode resistir á palidez com que os céus tentam tomar o dia?
 A tirania celeste que sobre mim recrudesce diante de ti decresce sem entender o porque mas se desfaz em sorrisos de boba criança e vejo de longe.
 Nos teus passos e saltos boto versos tão meus que não ficam só quicam e desaparecem se enterram quem sabem soterras com tua autonomia tão incompreendido bem querer?
 Se temes a posse trago dos fundos a liberdade de não carregar em ti nome nenhum senão o meu nos teus pensamentos de amor e nada mais.
 Mas se não desejar e se considerar-me tão mal de intentar colonizar teu telhado dançante e esvoaçante que parece vivo peço que reveja.
 Abra teu coração pois teus olhos tingidos de mel não permitem vê-la nada tão puro quanto meu desejo de elegê-la senhora do meu peito vazio e desordenado.
 Somente venha e faça do meu teu varal para pendurar sobre ele os vários trapos de teu mundo colorido...

Bela

Traço no teu braço os caminhos que carregam meus olhos sobre tua pele

Neles guardo mil palavras que costurei em seu nome no segredo das noites de outono

nas quais dancei com sua lembrança nos salões de seu reinado em meus pensamentos

Como podem teus sorrisos hemisféricos sequestrarem minha atenção?

Quais sortilégios estão sob o véu de perfeição que encobre teus olhos de jaboticaba?

Já não sei se amo mas algo em ti me torna bobo

me reduz à um simples desajeito natural

Não encontro nas ideias que tomou de mim qualquer

frase para impressioná-la e quem sabe plantar meu amor em teu peito.

Ah, se não fossem os românticos meros produtos do passado...

Por toda tarde flagro meu espirito vigiando teus repousos de exaustão sobre a cadeira

Tu não cabes mas insiste e logo dobra-se todo o corpo perfeito

e repousa

de forma tão leve que ouço teu coração cantar lá no fundo

em batidas lentas e melodiosas

que eu adoraria entoar.

Rápido demais

E se fosse toda aquela velocidade sem destino um simples capítulo qualquer sem significado algum? A humanidade jamais saberia que em uma determinada noite de Abril dois jovens rasgaram a penumbra gelada em uma máquina de combustão infernal, cuja agilidade sobre o asfalto parecia distorcer a realidade arrastando as cores dos postes e placas num arco íris de garranchos metálicos.Ninguém jamais saberia senão eles e quem sabe somente seus corações, as caixas registradoras de suas vidas que na próxima curva poderia ser rompida no abraço selvagem de um poste ou quem sabe de uma árvore, mas mora na verdade a mentira de que ninguém precisaria saber.Dois números a menos que logo seriam substituidos, outros quem sabe mais normais assumiriam os postos deixados por suas sombras.Carrascos dos próprios medos à desbravar no seio da estrada as trincheiras da vida, apostando alto nas doses de embriaguez trazidas das curvas sem fim.Poderiam ter feito muito e ainda sim seria pouco, tudo tão pouco e tão breve que nem mesmo as mais belas palavras poderiam mascarar.A cidade-os cospe com sua língua de asfalto salpicada do sangue urbano, dois indigestos expulsos de seu organismo entorpecido e irracional.Dos lados vidas marginais correndo ou não nos sentidos contrários construindo casas de areia aos olhos das nuvens que disseram ser de algodão doce.A realidade é tão salgada quanto hipertensa e com o tempo não mata mas arranca aos poucos a vitalidade e a humanidade.Os homens se esquecem do quanto são imperfeitos e se cansam de redescobrir que na perfeição só mora a sanidade duvidosa dos solitários e tristes, pois pelos esgotos do mundo escorrem sem norte aqueles que se cansaram e não esperam dos céus nada senão chuva para que se afoguem na mais concreta e pura demonstração de divindade.

Renato Dias de Sousa