A humanidade tem lá suas complexidades idiotas, digo isso porque determinadas complexidades parecem crises de intelectuais quando na verdade não passam de babaquices mundanas. Homens e mulheres redigem extensas pesquisas traduzidas em centenas de páginas recheadas de letrinhas. São tantas que a maioria dos olhos cansados não se interessam por lê-las, começando pelos títulos que de tão extensos já consomem a energia mental. Inclusive, os títulos cansativos são um tentativa de ostentar intelectualidade.
Engraçado quando algum problemático qualquer procura nas paginas explicar coisas práticas, como por exemplo: os motivos que levam as pessoas à se lançarem dos mais altos andares dos prédios. Levando-se em conta a especulação imobiliária com sua insana plantação de edíficios por todos os cantos da louca cidade, tende à cresçer o número de desesperados que procuram num mergulho sobre o asfalto silenciar todos os apertos comuns à espécie.
Esses livros de auto-ajuda são os primeiros à apontar que você é sim um problemático. Se na noite anterior você e sua amada companheira não tiveram uma boa conexão o livro lhe dirá: "problema tal". Se ao despertar enfiou a testa no batente da porta do quarto o livro dirá que seu problema é ainda maior, ou seja, fodam-se eles com sua eterna busca por justificar nossa inperfeição.
Pessoas chovem dos andares mais alto porque simplesmente se cansam, resumidamente posso apelar às minhas liberdades e dizer isso. O suicídio deveria ser um direito constitucional, o que não mudaria em nada a situação atual das coisas. Da mesma forma que um homem procura a felicidade também desenvolve meios de escapar de suas infelicidades, quer outro melhor do que se espatifar sobre a calçada?
Somos uma espécie dificil com ares de auto suficientes, uma loucura só. A maior invenção divina mal consegue subsistir. A morte foi uma grande sacada universal pois tem como função por fim ao grande cansaço da vida. Quando se chega à casa da oitava década não se quer mais despertar para assistir à redução da vitalidade. Cícero foi um grande mentiroso, o homem resolve sua vida nos bares e sobre as mesas, esvaziando copos e garrafas...apontando o dedo para o céu e chamando ao criador para lhe dizer "que grande bosta a sua obra".
Renato Dias de Sousa, num dia exaustivo.
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