terça-feira, 3 de julho de 2012

Relatos da fuga sem caminho

Deitou os olhos no misto profano de corpos que se distribuiam lá embaixo nas passadas longas e curtas, acotovelando-se às margens do rio asfáltico pelo qual corriam os carros. Jeito simples semeado pela terra nos campos do espírito, não encontrava paz naquela desarmonia metálica, matava-lhe os ouvidos. O homem do qual veio sempre falará mal da cidade, dos prédios e das pessoas e fará lenda quando falou dos passáros, dizendo que de lá eles fugiam mas ele não fez crença, entregou-se à estrada pois as terras antes livres pra depois do horizonte agora eram outras, extensas posses de poucos homens. Quanto aos passáros forá verdade a feita do pai, ao não ser que sejam ele e tantos outros bichos voadores engaiolados por trás das janelas dos apartamentos, sendo quem sabe os prédios grandes árvores de alvenaria, cujas raízes maculavam o seio da terra. Precisava fugir mas nem mais a imensidão do mundo desenhado nos mapas parecia suficiente. Tudo nessa terra se converte em posse e não falta quem queira ter mais do que as duas mãos podem segurar.

Por Renato Dias de Sousa.

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